segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"Ouro de tolo"

Amanda Lima

Obras cinematográficas são um encanto, uma arte que a tudo resiste e abriga talentos múltiplos. Um de seus trunfos é poder deixar de ser ficcional e documentar “estórias reais”, imortalizar personalidades e momentos históricos. Para destrinchar algumas dessas criações, o mês de agosto será dedicado a documentários que agregam toda a misticidade da imagem à razão primeira de existirmos: a música.

Nada mais adequado à ocasião que a eloquência de um autointitulado “maluco beleza”. Em Raul - O início, o fim e o meio (2012), dezenas de entrevistados reconstituem os passos de Raul Seixas. Ainda que sua caminhada tenha acabado precocemente, Raul tornou-se um ícone que chega a superar seu caráter idolátrico. Sua construção esteve imersa em ditadura militar, drogas, amores e em um rock resultante de sua filosofia e de influências fortes de Elvis Presley.

Dirigido por Walter Carvalho, o filme deixa clara a ligação quase matrimonial entre o músico e o escritor Paulo Coelho, além de explicitar a personalidade de um Raul que muita gente não conhecia. Por trás daquele personagem de óculos escuros, barba longa e roupas atrapalhadas, havia um Raulzito politizado, cuja forma de subversão era a própria simplicidade.

Enquanto os baianos da Tropicália integravam um movimento mais sólido, o conterrâneo Raul proferia gritos libertários em meio ao conservadorismo. Deixou de canto ideologias já conhecidas e criou, ao lado de Paulo Coelho, a sua própria – uma sociedade alternativa sob a filosofia de Thelema, de Aleister Crowley: “Faze o que tu queres pois é tudo da Lei.”


A narrativa de Raul - O início, o fim e o meio é construída por depoimentos de seu irmão, amigos, fãs, parceiros e admiradores, como Caetano Veloso, Marcelo Nova e Tom Zé. Além deles estão suas filhas e quatro de seus cinco amores – Gloria Vaquer, Tania Menna Barreto, Kika Seixas e Lena Coutinho. Edith, sua primeira esposa, participa por meio de uma carta e é considerada por muitos o grande amor de sua vida.

Raul Seixas tornou verdade um sonho de criança e deixou marcas permanentes no rock brasileiro. Esbaldou-se em sua rebeldia simplória e entregou-se ao álcool cedo demais. Sua morte, em 1989, resultante de uma pancreatite, é narrada no documentário pela empregada Dalva Borges.


“Raul - O início, o fim e o meio”
Lançamento: 23 de março de 2012
Direção: Walter Carvalho
Co-direção: Leonardo Gudel e Evaldo Mocarzel

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