terça-feira, 2 de julho de 2013

O soul ainda respira em tempos modernos

Carolina Baldin Meira

Que data você daria para o vídeo abaixo?


Fim da década de 1960? Meados dos anos 70? A julgar pela fotografia retrô do clipe e pela sonoridade inconfundível do funk americano, aposto que mais pessoas arriscariam tal época como palpite.

O estilo do vídeo (e dos integrantes) pode até enganar, mas ele foi gravado em 2007 para a música-título do álbum 100 days, 100 nights. O responsável é o diretor Adam Elias Bunch, que utilizou câmeras autênticas dos anos 50, configurando uma atmosfera como as das performances no The Ed Sullivan Show. A banda de pegada característica atende por Sharon Jones & The Dap-Kings, nome que remete à gravadora Daptone Records, onde são os “músicos da casa”.

O grupo, batizado no ínicio de Soul Providers, formou-se no começo dos anos 90. Sharon Jones juntou-se a ele perto do lançamento do primeiro álbum, em 1996. A cantora foi convidada para ser backing vocal, mas impressionou a todos com sua voz de alcance profundo: chegou a gravar Switchblade, faixa originalmente pensada para uma voz masculina. 


Uma mulher (de voz) forte
Nascida em Geórgia (EUA), a talentosa Sharon Jones cantava em corais de igreja e foi backing vocal de diversas bandas de funk e disco nos anos 70. Mas, antes de se estabelecer no cenário musical, na década de 90, ela passou por empregos bem diferentes: foi carcereira na prisão Ryker’s Island (Nova York) e segurança de carro-forte.

Após sua entrada no projeto e algumas mudanças na formação, a banda finalmente se torna Sharon Jones & The Dap-Kings, conquistando o cenário musical soul. Um de seus diferenciais é o uso de equipamentos analógicos nas gravações, conferindo uma essência nostálgica aos álbuns. Nada de softwares ou sintetizadores: no estúdio, o grupo utiliza fita e todos os instrumentos são gravados juntos, ao vivo. Ao todo, eles já lançaram cinco discos: Dap Dippin' with Sharon Jones and the Dap-Kings (2002), Naturally (2005), 100 Days, 100 Nights (2007), I Learned the Hard Way (2010) e Soul Time! (2011).

Inspiração para Amy Winehouse
Um dos “empurrões” na carreira da banda foi a parceria com Amy Winehouse na gravação do excelente Back To Black, de 2006. Os Dap-Kings, sem a vocalista Sharon Jones, foram contratados pelo produtor Mark Ronson para gravar aquele que seria um dos álbuns mais vendidos dos anos 2000: foram mais de seis milhões de cópias no mundo todo.

Mas não houve ressentimento por parte de Jones, que afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo ser feliz pelo reconhecimento: "Ela [Winehouse] e Ronson chamaram minha banda para tocar com eles. Porque eles perceberam que o som que fazemos é único. Não fico enciumada, foi importante o que ela fez, sim. Fico orgulhosa que nossa música tenha recebido essa repercussão".

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