sábado, 29 de junho de 2013

Tomada única

Amanda Lima

Incorporar técnicas cinematográficas a videoclipes não é algo inédito e já teve como consequência produções brilhantes. Um desses recursos é o plano sequência, que consiste na reprodução de vários acontecimentos sem cortes de câmera. Consequentemente, toda produção que resulta dessa técnica é sem dúvida o único acerto dentre milhões de tentativas que em algum momento da captação deram errado.

Nesta seleção, cada clipe explora o plano sequência de uma maneira diferente. Seja naqueles em que a produção é gigante ou nos que uma câmera e criatividade bastaram, o fato é que esse artifício não é privilégio apenas de cineastas renomados como Martin Scorsese ou Stanley Kubrick.

Nightwalker, Thiago Pethit

Há muitos clipes em que os protagonistas caminham a esmo, incansavelmente. O registro dessas andanças em plano sequência é bastante comum em videoclipes, como nos clássicos Yellow, de Coldplay, e Everything, de Alanis Morissette. No clipe de Thiago Pethit para a música Nightwalker, a caminhada de Alice Braga se une a danças coreografadas e é bastante enérgica se comparada à de Chris Martin.


This too shall pass, OK Go

Conhecidos por clipes bem produzidos e improváveis (como o famigerado clipe das esteiras), OK Go deu ao plano sequência níveis de complexidade altíssimos. This too shall pass é resultado de uma produção extensa e de muitas tentativas frustradas. A ideia é a criação de uma máquina como a da abertura de Rá Tim Bum, programa da TV Cultura. Depois de assistir ao vídeo, você com certeza se perguntará como tudo funcionou e, para sua sorte, os bastidores da filmagem estão disponíveis na internet.


Sitting, waiting, wishing, Jack Johnson

Existem poucas coisas mais intrigantes que narrações reversas. Por meio dessa técnica, um vídeo é exibido do fim para o início. Talvez o exemplo mais conhecido desse tipo de produção seja The scientist, de Coldplay. Para que a boca de Chris Martin acompanhasse a música, o cantor precisou aprender a cantá-la de trás para frente, tarefa que durou um mês. Em Sitting, waiting wishing, de Jack Johnson, a dificuldade foi a mesma, somada ao desafio de fazer tudo dar certo em apenas uma tomada. Os bastidores esclarecem alguns dos mistérios que o vídeo cria.


Nantes, Beirut

Beirut, a orquestra de Zach Condon, está distribuída em lances de escada de um prédio antigo. Zach, a partir do último andar, desce e encontra gradativamente os instrumentistas. É assim que se constrói o plano sequência em Nantes. O diferencial do vídeo é que a captação do som é simultânea à filmagem. A Banda Mais Bonita da Cidade, inspirada em Beirut, gravou de forma semelhante o clipe de Oração, que estourou na internet em maio de 2011.


Hometown Glory, Adele

Dirigido por Rocky Schenck, o videoclipe de Hometown Glory transparece a simplicidade e a cadência da própria canção. Adele canta em um cenário escuro enquanto fotografias de cidades norte-americanas são projetadas ao seu redor. Outro clipe que desenvolve o plano sequência com movimento de câmera semelhante é Leaving Home, do duo australiano Big Scary. Nele, a trajetória circular da câmera intercala imagens da dupla tocando e dos personagens do vídeo.



O Tempo, Móveis Coloniais de Acaju

Em parceria com a MTV Brasil e os grafiteiros da Ceilândia Kollors Kingz, a banda Móveis Coloniais de Acaju lançou o clipe de O Tempo a partir de uma transmissão em tempo real pela internet. Além dos vários planos e dos passos divertidos do grupo, que tornam o clipe original, os movimentos foram acelerados na edição. O resultado é um humor irreverente comum à banda.

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