sábado, 22 de junho de 2013

Eu acredito no coração

Gabriel de Castro*

Foto: Gabriel de Castro

“Não me sinto tão sozinho, tenho meus amigos”. Foi um flashback da minha adolescência poder presenciar Vanguart logo ali ao meu lado. Como um amigo meu me disse, “as ‘ranchadas’ no estaleiro ao som de Vanguart deixaram saudades”.

Era um dia qualquer quando recebi uma notificação a respeito de um show da banda matogrossense. Imaginei que fosse em uma cidade qualquer, alguma van para a apresentação em São Paulo. Tudo isso, menos que Ibitinga seria o palco para a vinda do grupo.

Supreendi-me e muito ao descobrir que eles viriam à cidade no Circuito Sesc de Artes. Decidi, então, que não poderia perder o show. Voltei para cá e, com meia hora de antecedência, lá estávamos eu e meu primo à espera do som da banda.

Enquanto aguardávamos, eis que surge nos arredores do palco um sujeito com uma pinta no rosto, que logo foi identificado como o próprio Hélio Flangers. Não poderíamos deixar de tietar um pouco e já pedir logo uma foto. Batemos um papo com o vocalista e falamos da nostalgia que o Vanguart nos trazia. Foi inacreditável.

É difícil explicar o sentimento que me veio logo ao primeiro acorde que soou do violão de Hélio Flangers. Para começar, o som ambiente estava sensacional, muito além do que eu imaginava que estaria por se tratar de um local aberto.

No palco, os artistas transbordavam energia e talento. Riffs bem encaixados, bateria segurando perfeitamente o ritmo, dois ótimos vocalistas e uma violinista, que, além de boa, também era carismática.
Tudo isso contribuiu para a perfeita execução de todas as músicas que estavam no setlist da banda meu destaque às faixas “Das Lágrimas”, “Para Abrir os Olhos” e, é claro, “Semáforo”.


No entanto, a apresentação não ficou só por isso. Sim, eu e meu amigo tivemos uma música dedicada a nós. É isso mesmo, produção. E justo a música que entoávamos ao som de rãs nas “ranchadas” de antigamente: “Para Abrir os Olhos”.

E essa “homenagem” foi apenas uma das demonstrações de simpatia do vocalista, que se mostrou muito bem-humorado durante o show inteiro. E não só durante o show.

Ao final da apresentação ao som do mestre Raulzito , os membros do Vanguart deram autógrafos e tiraram fotos com os fãs ali presentes. Destaque seja feito, no entanto, à história genial de Hélio Flangers que fecha este texto:


“Teve uma vez que estávamos viajando em uma van e o motorista parou no meio da estrada, perto daqueles pontos que existem para pessoas que pegam ônibus na beira da rodovia mesmo. Ele disse que ia arrumar o cinto, e nós aproveitamos para nos aliviarmos por ali. Fui mijar bem rápido e, depois que eu tinha retornado à van, vejo que o nosso produtor estava conversando com uma pessoa. ‘Viu, rola uma carona?’, disse a pessoa. Quando reparei, era um travesti que estava ali conversando com ele. O produtor ficou sem jeito e logo entrou na van. Fechamos rápido o veículo, receosos de que o travesti invadisse nosso carro. Quando já estávamos um pouco a frente, notamos uma estranheza. O David, guitarrista da banda, havia ficado para trás!! E o próximo retorno era só 5km a frente. Naquele momento, aliada ao sentimento de culpa estava a comicidade. Nós não conseguíamos parar de rir. Eu liguei no celular dele, mas percebi que ele o havia deixado dentro da van. De repente surge uma ligação de um número desconhecido, com um DDD estranho. Atendo o telefone e escuto: ‘Agora eu estou aqui no posto’, com uma voz bem brava. Não aguentávamos não rir da situação. O David andou um quilômetro mais ou menos até o posto mais perto e ficou esperando ali até nós o buscarmos. Pelo menos aprendemos a sempre fazer uma checagem antes de sair de algum lugar”.


 *Gabriel de Castro é estudante de Jornalismo e contribuiu com este post para o Play This Beat.

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