domingo, 2 de junho de 2013

Bom partido

Amanda Lima

“A roda de partido é um momento de liberdade”, narra Paulinho da Viola em Partido Alto, documentário de cineasta brasileiro Leon Hirszman. Nesse subgênero do samba, os versos são improvisados e terminam sempre no mesmo refrão, no mesmo tema. Se não para destrinchar a produção em si, este relato servirá apenas à minha inquietude. 

O partideiro entra na roda com a certeza de que é livre para criar versos do seu jeito, para rimar como quiser. Talvez seja disso que surja a definição do partido como “a expressão mais autêntica do samba”. E assim ele se constrói: em estrofes que unem tons e personalidades individuais. Há de se dizer, porém, que, mesmo livre, a roda de partido está presa à estrutura que lhe dá origem – o refrão.

Fora da roda, em contrapartida, são os próprios sambistas, despidos de sua arte, que improvisam nos cantos da vida e buscam incessantemente um refrão que os faça valer. Estão unidos em um grande samba orquestrado por milhões de partideiros. Nele, juntam-se os instrumentos, a espontaneidade e a dança miúda de cada um em um círculo que sua, canta, grita e luta para descansar de vez no tema.

Mesmo sem a cuíca na mão e os versos na ponta da língua, todo alheio ao samba é também um partideiro de si mesmo. Em meio à liberdade estreita de que desfruta e à vadiagem a que se permite, conduz seus passos na cadência do samba e não pode deixar a batida morrer. 


Filmado em 1976 e lançado em 1982, Partido Alto mostra a simplicidade com que se faz a roda de partido. O documentário é uma das mais famosas produções a respeito desse subgênero do samba. Os exemplos de versos improvisados e diretos são muitos e têm como âncora o sambista Candeia.

“Sempre haverá partideiros, e o verso, de improviso ou não, 
refletirá as verdades sentidas na alma de cada um.”

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