terça-feira, 21 de maio de 2013

A Banca

Felipe Altarugio*

"Esse espaço será sempre seu" (Foto: Divulgação/ Murillo Moser)
Estava eu sábado passado em minha terra natal, a bela Rio Claro, folheando o jornal local, quando descubro na agenda do fim de semana que a banda A Banca faria sua apresentação na cidade naquela noite. A Banca, pra quem tá por fora, é composta pelos integrantes do Charlie Brown Jr: Bruno Graveto (bateria), Thiago Castanho (guitarra), Marcão (guitarra) e Champignon (vocal). Quem assumiu o posto deixado por Champignon foi a baixista Lena.

Nunca fui fã exaltado de CBJR, vale ressaltar. Eu era daqueles que gostava das músicas mais famosas, curtia o arranjo musical dos caras, mas nada demais. Mesmo assim, achei uma oportunidade interessante de conhecer a nova cara da banda. Além disso, existia toda uma expectativa, já que a morte de Chorão ainda é recente e provocou nos fãs um misto de comoção e incerteza com relação à nova configuração.
Lena é a nova baixista da banda (Foto: Reinaldo Marques)

No show, as músicas são, ainda, do repertório do Charlie Brown Jr. Algumas músicas inéditas que estariam no novo álbum do CJBR são tocadas na apresentação. Champignon já revelou, contudo, que, mais pra frente, A Banca deve lançar mais músicas próprias.

Tecnicamente, mesmo que eu não seja a pessoa mais indicada para analisar música, ainda há muito que melhorar. No vocal, Champignon, de longe, ainda está aquém de Chorão. Já Lena, a nova baixista, mostrou qualidade e, mais que isso, personalidade, com boas viradas e uma participação marcante no show, apesar de, pelo menos por enquanto, também não ter atingido o desempenho que Champignon tinha no baixo.

Claro, ainda há problemas de entrosamento, até mesmo porque o show foi o segundo da turnê “Chorão Eterno”, que começou no dia 5 de maio em Lorena. Com muitas homenagens ao eterno líder do Charlie Brown Jr, torna-se evidente que há uma fase de transição entre as duas bandas.

O que vale mesmo, por enquanto, é a tentativa dos ex-integrantes do CBJR de seguir em frente, apesar do forte abalo que sofreram no início de março. A sintonia entre a banda e seus fãs, nesse aspecto, foi destacável, já que ambos vivem esse clima de comoção e de uma certa nostalgia. A Banca ainda busca uma afirmação, mas, ao contrário do que alguns tentaram prever, os fãs receberam a banda de braços abertos. Isso é importante, já que o povo dá o respaldo necessário para que A Banca vá, aos poucos, consolidando a sua música, ainda sem abandonar suas raízes. A caminhada, daqui pra frente, vai ser longa, e é realmente importante que os músicos e seu público percorram juntos esse caminho. O que fica, nesse começo, é a saudade e a força de vontade em continuar a trilha do eterno ídolo Chorão.


*Felipe Altarugio é estudante de jornalismo da Unesp de Bauru e contribuiu com esse post para o Play This Beat.

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