domingo, 21 de abril de 2013

Um desamor pra chamar de meu

Julia Germano Travieso

Dizem por aí que a primeira impressão é sempre muito importante. Mas todo mundo sabe também que quanto maior o voo, maior a queda. Enfim, vou parar de cuspir sabedorias populares e ir ao ponto: a anedota de hoje, que é baseada exatamente nessas duas premissas.

Como vocês já devem saber, o especial deste mês é uma reunião de corações partidos e expectativas quebradas. Deixo claro, desde já, que não é intuito de ninguém enfurecer os fãs. Nossa intenção é apenas dividir com os leitores histórias de desamor. Diferente da Amanda Lima, que se entendeu com o seu após o amadurecimento que os anos trazem, a minha experiência teve um desfecho menos feliz.

A situação é mais ou menos esta: imagine que um amigo seu passa horas falando de alguém novo que ele conheceu, descreve com palavras lindas e conta histórias comoventes sobre as aventuras e desventuras que viveu com essa pessoa, e você, só de ouvir, também se apaixona. Não uma paixão dessas que te faz cometer loucuras, mas o suficiente para te deixar cada dia mais ansioso para conhecê-la e com a expectativa cada vez maior.

Bom, nesse caso, esse amigo foi Neil Strauss. Ele é um e jornalista americano que, por escrever livros e contribuir para a Rolling Stone e o The New York Times, fez várias entrevistas durante sua carreira. Uma delas foi com a banda The Strokes. E ler as páginas desse texto foi como ouvir as histórias do amigo descrito acima.

 Foto: divulgação

À medida que as linhas corriam eu simpatizava cada vez mais com os meninos da banda. Eles pareciam engraçados, despojados e acima de tudo desafiadores. Quem tem essa veia meio revoltada com o mundo deve compreender a felicidade que foi encontrar esse grupo novo. Senti que me compreendiam, que deveriam ser ótimos, ri e chorei com eles enquanto Neil Strauss fazia seu relato. Mas a minha história, que tinha tudo para ser amor à primeira vista, sofreu uma reviravolta inesperada. Ouvir Is This It, a primeira música e faixa título do álbum foi decepcionante. 

Não porque seja ruim, ou que eu tenha alguma crítica a fazer ao som, e o mesmo vale para a letra; é uma música normal. Mas o santo não bateu. Fiquei triste por um tempo, mas passei para a próxima, na esperança do problema ter sido apenas ela. Mas o mesmo aconteceu com Modern Age e Soma. Quando cheguei a Barely Legal recuperei um pouco a fé, que durou apenas até a próxima faixa. O resto foi na inércia e absorvi muito pouco do som, até que Take It Or Leave It chamou minha atenção para o que viria a ser o fim. O encerramento do disco e também da minha breve história de amor, que terminou sem rancores, mas apesar de tudo, acabou. Hoje somos amigos e convivemos em paz.

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