sexta-feira, 26 de abril de 2013

Primeiras impressões

Gabriela Passy

Triste, triste. Muito triste. Não é uma primeira impressão muito boa, mas foi essa a que eu tive. Achei que era uma lágrima desenhada no rosto dele, o que só ajudou a cristalizar a impressão. Macacão de mecânico azul marinho, botina nos pés. Ombros pra cima, peito pra dentro, umbigo pra fora. Postura de gente triste, que sofre e tem um buraco enorme entre o coração e o estômago. Expressão de gente triste, uma dorzinha tão constante no olhar que me angustiava. Daquelas dores que te agarram o peito silenciosamente por trás e te apertam, apertam e apertam. Até você sufocar.

O feliz dele era triste. “Come on and die for me”, era esse o convite que a primeira música animada – no estilão anos 50 – me fez ao sair da boca dele. E isso não é feliz de verdade. O jeito de sorrir de boca fechada fazia uma curva engraçada para cima, de um jeito que a felicidade que um sorriso deveria transmitir  se tranformava em um esboço de desgosto. Perguntei para quem conhecia se ele era sempre tão assim. Disseram que era.

Foto: Divulgação
Ele começou a mudar, porque, afinal, todo mundo muda. Foi ficando meio maluco, e mais maluco ainda quando eu larguei a vergonha e cheguei mais perto. Me ajoelhei no chão. E de repente ele não me parecia mais tanto aquela tristeza personificada. Era legal, engraçado e, principalmente, teatral. Ele sentia o que estava cantando, fazia caras e bocas dignas dos maiores intérpretes que eu já vi. Um puta de um intérprete. É, eu gostei dele. Tive vontade de abraçar – e abracei mais tarde, é verdade.  

Acho curiosa essa história de que a primeira impressão é a que fica. Acho curiosa principalmente pelo fato de que acredito que é verdadeira. Nunca vou conseguir olhar para o Thiago Pethit sem me lembrar da quantidade de sensações diferentes que ele conseguiu me transmitir de cima de um palco, no primeiro dia em que eu tive algum tipo de contato com ele. Nunca vou conseguir deixar de achá-lo triste, maluco e engraçado. Tudo ao mesmo tempo.

No final do show, rolou um pedido de casamento vindo da platéia. “Hoje eu caso, hein!” foi a resposta. Refleti por um momento e decidi que não me casaria com ele. Acho que também não moraria com ele. Mas tenho certeza absoluta de que seríamos ótimos vizinhos.

Devil in Me by Thiago Pethit on Grooveshark

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