domingo, 14 de abril de 2013

Expectativa desafinada

Amanda Lima

Os domingos deste mês trarão ao blog desilusões. Não as amorosas, descritas exaustivamente em letras de canções ou em melodias cheias de tristeza. Estamos nos despindo da música que encanta como amor à primeira vista para relembrar discos ou artistas que, de alguma forma, foram decepções musicais. 

Revirei meus casos mal resolvidos com a música e me deparei com um álbum que esperei com ansiedade não para baixar assim que possível, mas para vê-lo chegar pela porta de casa. No auge das minhas inquietudes pré-adolescentes, um dos meus desejos era ter todos os discos de certas bandas, e, entre elas, estava o Foo Fighters. 

In Your Honor (2005)
In Your Honor (2005) é o disco que não me encantou logo no primeiro olhar. O último lançamento da banda tinha sido One By One, dois anos antes, e não se distanciava abruptamente de dois álbuns anteriores, The Colour And The Shape (1997) e There Is Nothing Left To Lose (1999). A turnê havia acabado e pairava no ar uma dúvida sobre que caminhos Dave Grohl trilharia dali em diante. O resultado foi um CD duplo, composto por dez canções plugadas no primeiro e dez acústicas no segundo.

Tomada pela curiosidade a respeito de um acústico feito por uma banda tradicionalmente elétrica, ouvi o segundo antes. É claro que, passados oito anos, qualquer análise leva em conta aspectos que não me ocorriam na época. A estranheza de se ouvir a voz macia de Dave em oposição aos gritos habituais, por exemplo, era mais que esperada. Mas existe algo que se repete em quase todas as faixas, uma vibração que não modula, uma batida que se exausta. Talvez isso mude apenas em Virginia Moon, bossa com participação de Norah Jones, e em Cold Day In The Sun, cantada por Taylor Hawkins com um pouco mais de peso.


No primeiro disco, além de canções como Best Of You, mais poéticas e populares, existem acertos indiscutíveis, como DOA, No Way Back e The Deepest Blues Are Black. Alguns traços do acústico parecem incorporados em alguns momentos, o que talvez seja a gestação de uma característica consolidada no futuro, em Echoes, Silence, Patience & Grace (2007).


Parte das críticas a In Your Honor recai sobre sua extensão. É possível que uma edição mais enxuta, formada por um só disco, causasse menos choque e, por consequência, menos cansaço. Para mim, o gosto pelo álbum veio com um pouco de insistência e maturidade. Com outras visões sobre a música, a parte acústica passou a agradar muito mais. Posso dizer que, no fim das contas, foi uma desilusão musical com fim amigável.

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