sábado, 9 de fevereiro de 2013

Uma surpresa

Vanessa Souza


Podem me xingar, mas não adianta: todo ano eu acompanho o American Idol. Todo ano eu torço por algum concorrente com um grande potencial que é eliminado no Top 5 ou Top 3. Depois, fico só esperando para ver que tipo de escorregão o artista vai levar na recém-lançada carreira. Normalmente os produtores arrumam umas músicas 'mais ou menos' e os cantores têm que engolir as escolhas absurdamente equivocadas que as gravadoras fazem. Depois de tantos anos no ar e vários tropeços, o American Idol começou a perder a força.

Em 2012, nenhum candidato conseguiu conquistar minha torcida e eu assisti só por assistir. O vencedor foi Phillip Phillips, o quinto consecutivo a se encaixar no padrão apelidado de "white guy with guitar", ou seja, os branquelos que pegam um violão e tocam músicas que vão do pop ao rock, passando por country e folk, e nunca saem da sua zona de conforto. Eu nem ia me preocupar em ouvir o álbum que ele provavelmente lançaria até o fim do ano.

Mas... eu ouvi. O disco foi lançado em novembro de 2012 e eu acabei trombando com ele na internet há alguns dias. Quase deixei o encontro passar batido, mas o nome era interessante. The World from the Side of the Moon parecia traduzir como 'vem ver do que eu sou capaz' na minha cabeça. Ok, eu vejo, não estou fazendo nada, mesmo...


Man on the Moon é a faixa que abre o disco. O violão de Phillip começa já preenchendo a música e não deixando toda essa responsabilidade para a voz dele. O americano até sabe cantar, mas não tem uma daquelas vozes que se destacam na multidão de artistas por aí. E, talvez pelo fato de o American Idol ser uma competição essencialmente vocal, não é difícil ver álbuns de ex-participantes em que a parte instrumental é muito fraca. Isso, pelo menos, não acontece aqui.

Em seguida vem Home, o "single de coroação", como é chamada a primeira música de trabalho do vencedor quando ela é apresentada na final do programa. Um tanto morna, eu diria, assim como Gone, Gone, Gone, que (infelizmente) já foi escolhida como a próxima a ser tocada nas rádios. No entanto, o álbum tem momentos incendiários com as animadas Get Up Get Down e Drive Me, que merecem bem mais atenção.

The World from the Side of the Moon mostra que também vai um pouco na contramão do famigerado pop/country que os reality shows de música vomitam na indústria fonográfica americana. Canções como a ótima Wanted Is Love e A Fool’s Dance revelam um lado sombrio do folk-pop-rock que Phillip faz.

Na versão regular do álbum, a música que fecha o trabalho é So Easy, uma canção de amor agradável, mas muito comum. Já o deluxe conta com mais três faixas: Hazel (uma composição de Phillip) Wicked Game (uma regravação da música de Chris Isaak) e uma gravação ao vivo de Home. Talvez por causa do meu atual humor (ou a falta dele) eu prefira terminar o álbum no cover que se fundiu tão bem ao disco que chega a parecer uma canção inédita. Afinal, pouca coisa é mais inútil que uma versão ao vivo que em quase nada se diferencia da original – principalmente quando a faixa feita em estúdio já está presente no álbum.

Clipe de Home, primeiro single do álbum

No final, o disco foi uma boa surpresa. Um detalhe responsável por isso é o fato de o álbum ser quase todo autoral. Na versão regular do disco, são só três faixas que Phillip não assina, além de cinco serem colaborações entre ele e outros compositores e quatro terem sido escritas por ele sozinho. Isso não só sugere como confirma a consistência do trabalho. Ao invés de ser uma grande bagunça, com influências misturadas e desencontradas (que foi o caso da pobre Haley Reinhart, promissora candidata da 10ª edição), cada canção tem seu lugar no disco e faz sentido dentro dele. A impressão que se tem é que Phillip já tinha uma boa noção do que ele queria para o álbum e de como ele se vê como artista.

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