quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Remédio Musical

Carolina Baldin Meira

Um paciente procura atendimento médico. Os principais sintomas: desânimo, angústia, dores de cabeça, estresse, falta de concentração e insônia. O possível diagnóstico: depressão. Mas será que o tratamento deve ser essencialmente composto por medicamentos? Além de antidepressivos e psicoterapia, pesquisadores agora apostam na música como benefício adicional e um meio até de aliviar dores físicas.

O estudo (“Emotion Classification in Contemporary Music”) foi feito em 2010 por uma universidade pública da Escócia, a Glasgow Caledonian University, e utilizou técnicas de psicologia da música e de engenharia do áudio para uma busca detalhada sobre o poder musical de expressar emoções.

Ok, a música que ouvimos traduz muito sobre o nosso humor ou estado de espírito – e isso não é grande novidade para ninguém. A questão é: onde entram as descobertas da medicina neste campo tão subjetivo? De acordo com a pesquisa, a emoção transmitida por uma música é influenciada por fatores como tom, estrutura e letra. O especialista de áudio Don Knox, líder do projeto, ainda destaca o impacto de vivências pessoais, como o lugar e o momento em que você escuta determinada canção, e se você a associa a algum acontecimento marcante.

breakoutcreativecompany.com

Um dos objetivos da pesquisa é criar um modelo matemático que explique a comunicação de diferentes emoções através da música. Exemplo: os voluntários do estudo escutaram pela primeira vez algumas músicas populares contemporâneas inéditas e as classificaram num gráfico de acordo com a intensidade do sentimento despertado. As músicas consideradas “exuberantes” ou “animadas” foram aquelas com ritmo regular, tom constante e timbres vivos.

Mais do que saber que uma música acelerada intensifica o temperamento de uma pessoa ou que uma lenta pode acalmá-lo, o projeto pretende ampliar o uso medicinal da música. A expectativa é o desenvolvimento de terapias musicais em pacientes depressivos ou que sofrem de dores físicas crônicas.

A ideia de importância da música, dos ruídos e do silêncio para nosso organismo – em aspectos como humor, atividade cerebral e até sistema imunológico – já foi trabalhada no livro “Healing at The Speed of Sound”, do pesquisador Alex Doman. Em entrevista à revista Galileu, ele explica o princípio das ‘marchas’: “você separa canções de acordo com o andamento, o alcance da frequência e arranjo”. Neste caso, qualquer um pode se utilizar deste poder terapêutico (e bastante democrático) ao ouvir música. Entenda melhor abaixo e aproveite você também, sem precisar de receitas médicas:

Primeira Marcha: Músicas com até 60 bpm (batidas por minuto), tons graves, arranjos simplificados, geralmente instrumentais, como new age ou música ambiente. Acalmam os ritmos do corpo e reduzem o estresse.

Mystic Sound Bath - Hang Drum, Vocals and Didgeridoo by Music for Deep Sleep on Grooveshark

Segunda Marcha: Músicas de 60 a 90 bpm, frequências médias, normalmente instrumentais, como violão e música barroca. Ideais para quem busca concentração.


Terceira Marcha: Músicas acima de 90 bpm, ampla frequência sonora, como jazz, rock, pop. Aumentam a energia, ajudam na redução do estresse e até num melhor desempenho atlético. 

Cantaloop (Flip Fantasia) by Us3 on Grooveshark

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