domingo, 24 de fevereiro de 2013

Recomeços

Gabriela Passy

Quem nunca disse ao menos uma vez na vida que “o ano só começa depois do carnaval”, que atire a primeira pedra. Nunca fui muito de concordar, sempre estive na ativa antes do festival da carne, mas nesse ano fui obrigada a ceder ao clamor dos foliões. Toda a inatividade se arrastou preguiçosamente até a quarta-feira de cinzas, dia que marcou o início de um intenso zeitgeist de mudanças e recomeço. Nova casa, mais um semestre na faculdade, pessoas pra conhecer, bixetes e bixos chegando por todos os lados, me mergulhando novamente no mundo da rotina universitária, o que, por enquanto, resume-se a socialização, festas e cerveja.

Impossível, então, não me recordar dos meus passados tempos de bixete perdida, feliz e entusiasmada com uma vida nova, um recomeço e tanto para quem havia passado todos os seus dezessete anos colada à uma mãe dedicada, pronta para resolver todos os seus problemas. De repente ela não estava mais lá, e eu precisei aprender a me virar, algo já intrínseco a mim, mas atrofiado pelos anos de desuso em meio à comodidade materna.

Foi assim que o meu maior recomeço – e tomara que ainda o menor de todos – ficou rodando pela minha cabeça durante os  minutos (“as horas” seria mais vistoso e bonito, mas seria uma mentira) que antecederam o meu sono. Morfeu me trouxe sonhos esquisitos, mas uma surpresa agradável ao acordar. Não sei se isso acontece com vocês, mas com freqüência eu acordo com uma música na cabeça, e ela me persegue insistentemente durante todo o resto do dia. E hoje a que me veio foi Come Closer, de uma big band chamada Chickenfoot.

Come Closer by Chickenfoot on Grooveshark

E ela se encaixou perfeitamente no meu zeitgeist pessoal. Isso porque conheci a banda há dois anos, fazendo uma matéria para um dos projetos de extensão ao qual eu dedicava algumas horas – no sentido literal – do meu tempo no primeiro ano. E não é que me lembrei que o Chickenfoot também é resultado de um recomeço?! Achei tão genial tudo estar tão ligado que uni a vontade antiga de escrever sobre a banda com o meu momento... E voi là.

Quatro integrantes, na formação tradicional de baixo, guitarra, bateria e vocal. A guitarra de Joe Satriani (que tem carreira solo) já passou por Rolling Stones e Deep Purple, mas parece ter encontrado na big band um lugar para chamar de seu. Sammy Hagar, o vocalista, e Michael Antony, o baixista, são ambos ex-integrantes da norte-americana Van Halen. E finalmente, o baterista, Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers, que encontrou espaço na vida para tornar o Chickenfoot realidade. Todos de alguma forma recomeçando – ou quem sabe continuando, como preferir.

E fico muito grata que eles (com a exceção de Joe Satriani, convidado à banda posteriormente) tenham se reunido num clube no México, tocado juntos por diversão, percebido que a união tinha futuro, criado um nome tosco provisório para a banda (e o adotado como fixo depois de um tempo) e gravado dois discos (Chickenfoot e Chickenfoot III) de 2009 a 2011. Gosto deles. Gostei do fato de terem se encaixado em mim hoje. Gostei do recomeço deles. Gosto dos meus também.

P.S.: Deixei algumas das minhas preferidas deles para vocês.

Chickenfoot by gabrielapassy on Grooveshark

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