terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Os quatro de 2012 (parte II)

Carolina Ito

Esta é a metade que faltava da seleção de lançamentos nacionais. Tom Zé e Céu, que trouxeram discos memoráveis em 2012, são nomes que não poderiam faltar.

Tropicália Lixo Lógico - Tom Zé

Ilustração: Carolina Ito

Falar de Tom Zé não é uma tarefa fácil. Suas teorias e raciocínios, por vezes, são mais velozes do que podemos captar ao longo de uma música ou de um disco. Talvez seja por isso que em Tropicália Lixo Lógico ele tenha se empenhado em ser o mais didático possível, tanto nos shows quanto em suas composições.

Estudos de história e neuro-antropo-psicologia ajudaram o baiano a formular uma hipótese sobre as raízes da Tropicália, os fatores que permitiram que esse movimento se concretizasse e revolucionasse a cultura brasileira a partir dos anos 70. Uma possível maneira de sintetizar todos esses estudos seria dizer que a mistura da cultura árabe do nordeste + o pensamento ocidental + estudos neurológicos da formação da memória e dos costumes de um povo (ou uma bela metáfora travestida de ciência), resultaram na inquietação de Caetano, Gil, Mutantes, Oiticica, Zé Celso e etc.

"Tropicália Jacta est" é a faixa que conduz o raciocínio psicodélico de Tom Zé e ajuda a entender porque o movimento fez com que os brasileiros saíssem da Idade Média para a Era do Pré-Sal. Aliás, cantores dessa nossa Era foram convidados a participar do disco atualizando as propostas hibridizantes da Tropicália. Mallu Magalhães, Pélico, Rodrigo Amarante e Emicida foram os eleitos.


Caravana Sereia Bloom - Céu

Ilustração: Carolina Ito

Céu veio na forma de sereia errante em seu novo álbum lançado no começo deste ano. O tema de Caravana Sereia Bloom é a estrada e as experiências que surgem em longas jornadas para lugares cada vez mais distantes. Outras divagações a altura desta já foram feitas. Basta um clique.

As participações do disco incluem viajantes como Pupillo, Curumin, Thiago França, Nelson Cavaquinho (não fisicamente, mas na canção "Palhaço" regravada por Céu), Jorge Du Peixe (que compôs "Chegar em mim") e Lucas Santanna ("Contravento" e "Streets Bloom").

Escolhi uma personagem para ilustrar o disco, a Epifânia (Sempre achei que essa palavra daria um bom nome com adição do acento...). Ela combina com as músicas que falam de enganos e solidão, como “Retrovisor” e "Baile de Ilusão".


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