segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O mais novo prodígio inglês



                                                                                                                        Estevão Rinaldi*

É comum assistirmos, ano a ano, o surgimento de novas bandas e artistas que rapidamente se tornam alvo de comparações com músicos já consagrados. 2012 não foi diferente e trouxe algumas surpresas capazes de gerar expectativas altas inclusive naqueles de gosto mais exigente. Uma delas certamente foi Jake Bugg, de apenas 18 anos, que causou furor na Inglaterra após debutar com seu álbum homônimo, em outubro do ano passado. Uma semana após o lançamento, o disco já figurava na primeira posição entre os mais vendidos do Reino Unido e rendia ao garoto o título de "possível herdeiro de Bob Dylan". A comparação é um exagero, obviamente, mas desperta curiosidade acerca do trabalho de Jake.

Nascido em Nottingham, norte da Inglaterra, Jacob Edwin Kennedy aprendeu a tocar violão há pouco mais de seis anos, quando tinha 12 anos de idade. Cinco anos depois, em 2011, já se apresentava no palco de novos talentos de um dos festivais mais tradicionais do mundo, o Glastonbury, por meio de um convite da emissora BBC.

Bugg surpreende por seguir um caminho oposto ao da maioria artistas de sua geração. Suas influências, bastante explícitas, vão do Country Folk dos anos 50 e 60, passando pelo Britpop dos anos 90 e pelo Indie Rock britânico da última década. Escutando as 14 faixas de seu álbum de estréia, não é difícil identificar a sonoridade de Bob Dylan, Johnny Cash, Oasis, Libertines, Arctic Monkeys, The Kooks e outros expoentes desses diferentes gêneros. É impossível, por exemplo, não lembrar de Dylan ao ouvir os ótimos singles Lightning Bolt e Trouble Town. Até o clipe segue essa tendência retrô:



A capacidade de Bugg como compositor também impressiona. Suas ótimas letras e melodias bem trabalhadas não parecem vir de um garoto de apenas 18 anos. As canções mais emocionais, como Broken e Someone Told Me, são bons exemplos da simplicidade e da beleza de sua música.



Personalidade também não parece faltar ao prodígio. Na época em que atingiu o topo das paradas inglesas, Jake ganhou adeptos e críticos ao criticar os participantes do reality show musical "The X-Factor". "Isso prova o meu ponto. As pessoas ainda querem ouvir músicas com violões e guitarras. É meu dever manter aquelas merdas do tipo X-Factor longe do topo", afirmou. Atitude inegavelmente corajosa, visto que o programa é atualmente uma das maiores sensações no Reino Unido e em diversos países do mundo.

O talento do jovem músico também chamou a atenção de diversos nomes de peso no cenário musical inglês, como por exemplo os Stones Roses e Noel Gallagher, que o convidaram para abrir seus respectivos shows.
E a lista de admiradores não para por aí: Elton John, Chris Martin, Lily Allen e Damon Albarn também já fizeram elogios ao garoto. Nada mau, não?

As críticas mais frequentes a Bugg são a respeito da falta de originalidade de seu som. De fato, as referências à sonoridade de outros artistas são muitas. Por outro lado, é necessário lembrar novamente que Jake está começando agora e nada mais comum a um jovem compositor do que se inspirar e fazer referências a seus heróis. Felizmente, Jake Bugg escolheu muito bem seus ídolos. Com o tempo e amadurecimento, a tendência é que ele adquira uma sonoridade própria.

Com presença garantida em vários festivais importantes em 2013, Jake continuará divulgando seu primeiro álbum durante este ano. Ainda é impossível prever o quão grande ele pode se tornar. Resta-nos esperar ansiosamente pelos próximos trabalhos. Enquanto isso, uma boa dica é escutar outro bom single: Two Fingers.



*Estevão Rinaldi é estudante de jornalismo na Unesp de Bauru e contribuiu com esse post para o Play This Beat.

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