quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Minha alma francesa e a Carla Bruni

Gabriela Passy

Para não perder o costume, vou começar falando um pouquinho de mim para chegar onde começa a música. Passy é sobrenome francês, de falar fazendo biquinho e tudo. Uma rua e uma estação de metrô com o meu sobrenome, apesar de reais, são lembranças que carrego no imaginário da infância. Cresci e cresceu comigo a vontade de conhecer a terra das pessoas bonitas e blasè, da língua charmosa, dos crepes, dos vinhos, das boinas, da Coco Chanel e do Christian Louboutin.
                     
Lá pelo fim da minha era colegial veio à tona um segredo de família, dos mais bem guardados entre os prováveis milhares existentes. Meu bisavô francês era francês que nada; era italiano que odiava a pátria e chegou ao Brasil se autonomeando Passy. Minha alminha de francesa murchou, mas nunca desapareceu.

Nunca desapareceu e reavivou nesses últimos dias, quando um amigo me mandou um vídeo, dizendo assim: “e aliás esqueci de te mandar uma música, lembro que vc curtia francês e pa”. Sim, eu curtia e curto francês, e a música que tocou quando o link abriu (depois dos 5 segundos de propaganda, é claro), foi essa:


A imagem da Carla Bruni traz para a minha cabeça tudo o que a França é para mim: bonita, elegante, charmosa, sensual.  Pra quem – como eu – pensava que ela é francesa de nascença, pasme: é italiana de Turim. Não que isso importe muito.

Tem bastante gente que critica a Carla Bruni pela qualidade técnica do trabalho. Já ouvi e li muitas coisas do tipo “não surpreende”, “não tem voz”, “é fria demais”. Serei obrigada a rebater, porque, como você já deve ter percebido, eu tenho um carinho desenvolvido pela ex-modelo e ex-primeira-dama francesa. Não acho que é o tipo de música precise surpreender, que precise de uma voz forte ou de uma atitude marcante.

Tem certas coisas que dizem respeito à sonoridade da língua, que combinam mais com ela, e acredito que esse é um quesito que a Bruni preenche muito bem. O tom de voz, as melodias, a calma que ela transparece... Tudo combina muito com o francês. Não consigo gostar de alguém como a Maria Gadú querendo gritar os versos de Ne me quitte pas, por exemplo, mais do que eu gosto de alguém como a Edith Piaf cantando a mesma música muito mais calma e belamente.

É de se imaginar que fiquei muito contente ao ler por aí que a Carla Bruni está voltando à cena musical. Little French Songs, o novo álbum da cantora, deve mostrar as caras no próximo dia primeiro de abril – que dia feliz para as piadinhas. E esse é o primeiro single do disco, uma homenagem ao amor de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, e da atriz italiana Anita Pallenberg, nos anos 70.


(Que vontade de estar em Paris.)

Um comentário:

  1. Gabriela, mantenho minha preferência pela ascendência francesa, passando pela mesma surpresa ao saber da ascendência italiana. Foi-me dito que nosso Passy veio (lá longe) da França e passou pela Itália antes de chegar aqui. E, não sei se você sabe, mas o primeiro Nobel da Paz é Frédéric Passy.

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