domingo, 13 de janeiro de 2013

Do the reggae


Mayara Abreu Mendes

A década de 1960 é marcada no mundo da música para muitos pela consolidação do rock ‘n’ roll. Mas o que pouca gente sabe é que, além desse, outro estilo musical e cultural nascia naqueles anos também. O rock tomava conta da Inglaterra, dos Estados Unidos e logo chegou ao Brasil, mas na América Central a história era outra. Em terras jamaicanas principalmente.

Uma das praias jamaicanas e as cores do reggae
Foto: www.viacomercial.com.br
A Jamaica é um país que cresceu basicamente através da mistura de povos, raças, cores, crenças e culturas. Ingleses, latinos, africanos, caribenhos e aruaques se misturaram e então os jamaicanos foram surgindo. E é através desse misto de culturas que o reggae se formou. Com influências das músicas africana e caribenha, somando-se com o blues, o reggae surge principalmente como uma evolução dos estilos jamaicanos ska e rock steady.

O ska caracteriza-se por ter uma linha de baixo mais constante, com guitarras e pianos em ritmos mais acelerados e com pitadas de jazz. Com o tempo, o ska jamaicano foi ficando com batidas cada vez mais lentas, até que perceberam que ska não era mais ska, e sim um rock constante – o rock steady. E quando o que já era constante ficou mais lento e seguindo ainda mais o mesmo compasso, o reggae apareceu.

O nome veio não se sabe muito bem de onde, afinal muitas teorias surgiram. Pode ser que seja de uma palavra espanhola ou do latim, pode ser que seja do som que a batida das primeiras músicas do gênero fazia, pode ser de uma frase dita sem sentido algum ou pode ser que tenha vindo de uma derivação de uma palavra do vocabulário jamaicano. Jamais saberemos.

Mas o que sabemos é que o reggae veio para sintetizar tudo o que estava acontecendo na música e na cultura jamaicana de uma vez. A evolução dos estilos musicais se uniu ao rastafarianismo e então o reggae veio com suas letras simples, porém cheias daquilo que o povo pensava. Críticas sociais, preconceito, amor, cotidiano e a própria cultura rastafári eram temas bastante abordados pelos artistas do reggae.

The Wailers
Foto: Last.fm
Os principais nomes do reggae vieram de uma banda que evoluiu do ska para o novo gênero jamaicano. Obviamente, Bob Marley está entre eles. A banda chamava The Wailers, e era formada por Bob, Peter Tosh e Bunny Wailers. Outros nomes que marcaram e eternizaram o gênero musical foram Jimmy Cliff, Prince Buster e Jackie Mittoo.

O termo reggae ficou conhecido em 1968 por causa de uma música de nome Do The Reggay, do grupo Toots & The Maytals. Daí para frente, o gênero musical foi ganhando maiores proporções e na década de 70 já havia conquistado o mundo. Eric Clapton levou uma música de Bob Marley ao topo das paradas estadunidenses e a partir daí o mundo inteiro queria saber o que era aquele estilo musical de pegada dançante com uma letra cheia de sentimento.


Rastafári
A cultura rastafári vem de um movimento religioso em que um imperador etíope, Haile Selassie I, é visto como a personificação do deus Jah, com características messiânicas, e, por isso, é idolatrado. O movimento surgiu na década de 1920 na Jamaica através de uma interpretação bíblica. O movimento não é considerado religião por não ter uma igreja e nem algum lugar específico para louvar Jah.

O movimento tem características bastante singulares e, às vezes, mal interpretadas por quem não conhece o Rastafári. Um Rasta não pode ingerir álcool e nem tabaco, assim como carne de origem suína e de alguns peixes específicos (são basicamente vegetarianos, consumindo alimentos de origem animal muito raramente). O Rasta preza pelo natural, por isso muitos alimentos são consumidos quase que crus e, também por essa razão, os Rastas não frequentam hospitais e nem fazem uso de remédios.

Uma assimilação feita aos Rastas é que todos fazem uso da maconha e têm dreadlocks. Mas para tudo isso há explicações. A maconha é usada na cultura Rastafári como forma de limpeza e purificação do corpo, principalmente para uso medicinal, e não para diversão. E os dreadlocks vêm do fato de os Rastas não poderem cortar e nem pentear os cabelos, além de ter também um caráter sagrado: cada dread é ligado espiritualmente a uma parte do corpo.

Os Rastas têm engajamento político, fazem diversas críticas sociais – principalmente à desigualdade e ao preconceito – e prezam pelo amor. Bob Marley, assim como muitos outros representantes do reggae, era Rasta e levou tudo que a cultura o ensinou para o mundo da música. 


Bob Marley em um show na Suíça
Foto: Ueli Frey

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