terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Achados e perdidos

Carolina Baldin Meira

É engraçado como a palavra “perder” traz tantos significados consigo. Você pode perder a razão em uma discussão, perder os sentidos ao desmaiar, perder alguém que ama. Perde o apetite quando está doente, perde as chaves quando está com pressa, perde a hora quando não quer que o dia comece. Às vezes perde a memória em uma noite insana ou a promoção da cerveja preferida no supermercado. Perde sangue num corte profundo, perde o sinal do celular quando entra no elevador, perde o retorno na estrada por distração. Perde. Ou perde-se.

Mas quem disse que se perder é estar perdido? Quem disse que quando se está perdendo o melhor é parar, se render? Perder também é ganhar, por mais frase de livro empoeirado de autoajuda que isso possa parecer. Quantas vezes você encontrou um lugar novo porque se confundiu no caminho? Ou teve que se fortalecer quando se viu sem algo (ou alguém) pelo qual mantinha um apego enorme?

Posso sofrer e nem ter ferimentos. Deixar de vencer não significa que eu não tenho o que eu mereço. Não tenho nem o melhor, nem o pior. É que eu apenas me perdi. Nas correntezas de todos os rios que tentei cruzar, nos corredores de todas as portas que eu quis abrir e estavam trancadas, nas armas que eu experimentei e estavam quebradas. Todas as oportunidades que um dia estiveram lá, na palma da minha mão, mas eu deixei escapar por entre os dedos. Perder nem sempre é diminuir-se. Dizer que é o maior peixe do lago não garante liderança alguma: logo pode chegar um maior.

Só porque eu estou confusa, não significa que não faço mais sentido. E só porque me perco em grandes lugares, não significa que também não dou valor aos detalhes. Apenas quem procura pequenezas sabe a delícia de se perder dentro do olhar de alguém, ou nas cinzas envoltas por fumaça de um incenso que se consome, e até nos farelos de pão que você junta com as pontas dos dedos, sem perceber, na beira de uma toalha. E os pensamentos? Vai dizer que eles não ficam aí, o tempo todo te seduzindo, zanzando na própria mente, em mil e um trajetos e divagações sem fim? Você também vai se perder e se encontrar. 

Em certos momentos, nem as palavras são suficientes pra expressar o que sentimos. No restante deles  pelo menos para mim  elas servem como uma espécie de guia em meio ao caos dos achados e perdidos da vida. Talvez eu só esteja esperando o brilho de tudo se acabar. Apagar.


*Crônica baseada na música "Lost!", do álbum Viva La Vida (2008), da banda britânica Coldplay. 

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