terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Os quatro de 2012 (parte I)

Carolina Ito

O fim do ano se aproxima e logo aparecem dezenas de listas selecionando os melhores lançamento da música. Claro que as escolhas nem sempre agradam a todos e é raro uma seleção não parecer incompleta, passível de contestação. Mesmo assim resolvi dedicar este último post aos quatro grandes discos que nasceram neste 2012 supostamente apocalíptico e que vingaram com força no cenário da música nacional. As ilustras ajudam a entender um pouco dos sentimentos e das impressões que eles transmitem.

Aqui vão os dois primeiros.

The Moon 1111 - Otto

Ilustração: Carolina Ito

O disco foi uma boa surpresa neste final de ano e trouxe muita expectativa, afinal, seria difícil para Otto superar seu trabalho anterior. Certa manhã acordei de sonhos intranquilos, de 2009, é considerado um dos melhores – se não o melhor – disco da carreira do cantor até agora, mas The Moon 1111 também traz composições marcantes e parcerias que ajudaram a dar cara ao álbum.

Pupillo, baterista da Nação Zumbi (banda da qual Otto fazia parte), é parceiro constante do pernambucano e, dessa vez, não seria diferente. Outras participações vão na mesma vibe “pós-manguebeat”, com Fábio Trummer (vocalista da banda Eddie), Lirinha (ex-vocalista da Cordel de Fogo Encantado, agora em carreira solo) e Luê (jovem cantora paraense). E, quem diria, até a atriz Tainá Muller – sim, a musa inconsequente do filme Cão Sem Dono (Beto Brant, 2007) e de tantas outras peripécias televisivas – participa da gravação.

The Moon 1111 tem um ar retrô anos 80 em quase todas as faixas, mas isso não impede a mistura com ritmos brasileiros, a exemplo do maracatu, que aparece com frequência nas composições de Otto. A ousadia nas letras também é uma marca que não desaparece nesse disco. DP segue a linha sombria e sensual de Crua, do disco anterior.

Para chegar a esse resultado, Otto passou por Truffault, inspirando-se no filme Fahrenheit 451, Fela Kuti, The Cure, The Smiths... No geral, é um disco que fala mais de superação do que de dor ou, pelo menos, de uma primeira tentativa de superação com alguma revolta que resiste. Não consigo deixar de pensar que a música Ela falava é uma continuação – ou uma resposta – ao disco que tanto consagrou a carreira de Otto. Sem mais comparações por hoje.


Abraçaço - Caetano Veloso

Ilustração: Carolina Ito

Encerrando a trilogia que começou com o disco (2006) e passou por Ziie & Zie (2009), chega o Abraçaço de Caetano. Os três álbuns foram feitos em conjunto com a banda Cê, composta por Pedro Sá (guitarra), Marcelo Calado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo). Caetano apresenta nas onze faixas uma maturidade permeada de certa tristeza, de uma melancolia serena e reflexiva. Estou triste fala desse sentimento com simplicidade e é uma das canções mais intensas do disco.

Mesmo com essa pegada madura e intimista, Caetano não deixa de se arriscar no processo criativo. Funk melódico é um pancadão mais lapidado, se comparado a versão de Tapinha que o cantor interpretava em alguns shows. Parabéns segue o ritmo do axé com humor e um toque de ironia crítica (“Tudo Megabom, Gigabom, Terabom...”).

"A minha indignação não envelheceu, não pode nunca envelhecer. A canção não é uma notícia de jornal. Mas fico muito feliz de que, sob outro ponto de vista, ela fique, sim, obsoleta”, declarou Caetano em entrevista à Folha, sintetizando, talvez, a essência da Tropicália que se reinventa a cada geração.

Clique aqui para conferir a segunda parte, com mais dois discos de 2012. 

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