quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A voz da África



Vanessa Souza

Foto: site oficial
Cantora, compositora e ativista – essa é a descrição encontrada no twitter de Nneka. A nigeriana de nome estranho para nós me surpreendeu numa noite de sábado, em que eu, felizmente, não tinha nada melhor para fazer do que ficar perambulando pela internet em busca de 'música nova'. Era só isso que eu queria: um artista que eu nunca tinha ouvido antes e uma sonoridade nova no meu repertório.

Foi o que eu encontrei na voz rouca e sincera da cantora. Nneka transita por gêneros como hip hop, reggae, soul e R&B. Entre os assuntos tratados nas canções estão política, religião e mensagens positivas. Na maior parte do tempo, ela canta em inglês, mas isso não a impede de misturar uma palavra ou outra do igbo (língua falada por parte dos nigerianos) a algumas letras. Como influências, ela cita Bob Marley e Lauryn Hill, sendo também relacionada a artistas como Erykah Badu.

Um dos singles de seu primeiro álbum, Victim of Truth (2005), chamou-me a atenção logo que eu comecei a ouvir: Africans é um reggae que pede aos africanos que acordem e parem de só culpar os colonizadores, por mais que eles tenham culpa. Para Nneka, a hora agora é de se unir e fazer mudanças.


Em Beautiful, o foco da mudança é outro. A letra sugere que o ouvinte mude seu jeito de ver o mundo e comece a prestar atenção às coisas realmente boas da vida. Heartbeat, do álbum No Longer at Ease (2008), até parece falar de amor, mas não leva muito tempo até que o fundo político se revele em uma batida de reggae e soul.

Por mais séria que a cantora se mostre em suas canções de protesto, ela tem seu lado otimista, mesmo que seja falando sobre o fim de um relacionamento em Restless, do seu álbum mais recente, Soul Is Heavy (2011). A faixa-título desse disco também merece destaque pelo hip hop denso e genuíno que cita personalidades e regiões da Nigéria aliadas a críticas feitas pela cantora. Vale a pena dar uma olhada:

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