quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Playlist do absurdo

Julia Germano Travieso

Já parou para pensar qual o idioma da maioria das músicas que você ouve? Português? Inglês? Por que será que a língua inglesa é tão predominante em tantas playlists?

Algumas pessoas ouvem porque se identificam com os artistas, com as letras, com os ritmos, mas é uma minoria que consegue realmente compreender toda a letra de uma música da Adele, da Lady Gaga ou dos Beatles. A facilidade de contato com a cultura americana é a principal responsável pelo costume que muitas pessoas adquiriram de ouvir hits em inglês, mesmo sem entender exatamente o que está sendo dito ali. 

Já que é para curtir a música pelo estilo, pela melodia, em vez de focar a atenção na letra, vale a pena dar atenção aos ritmos de outras regiões do planeta, para variar os ares. Mas falar é fácil, encontrá-las... nem tanto. Para saber por onde começar suas buscas, ouça essa playlist com oito músicas sensacionais, com letras incompreensíveis: 


Kaizers Orchestra: uma banda norueguesa, que existe desde 2000 e tem uma discografia composta por nove álbuns e seis EPs, além de gravações ao vivo e mais de quinze singles. É um bom exemplo de uma melodia que pode ser apreciada independentemente das letras, que dizem ser bizarra mesmo para quem entende. Vale a pena ir atrás.

Gnom: outra banda norueguesa, com menos visibilidade na cena musical do país, mas foi essencial para a formação da Kaizers Orchestra. Eles têm apenas dois álbuns, mas são músicas gostosas de ouvir, boas para acalmar os nervos.

Philemon Arthur and the Dung: uma dupla da Suécia, conhecida apenas pelos pseudônimos Philemon Arthur e Dung. Mesmo quem entende sueco vai ter dificuldade para entender as letras, que são famosas por serem absurdas. O mistério relativo ao duo é apenas mais um chamariz para uma pesquisa mais profunda, que já vale pela qualidade musical.

Il Genio: quem gosta mais de uma batida pop vai ficar feliz com essa dupla italiana. São dois álbuns de músicas tão simpáticas quanto essa que está na playlist.

Mayra Andrade: nascida em Havana, vive hoje na França, mas cresceu passeando por Senegal, Angola e Alemanha. Ela tem três álbuns, com algumas músicas em português, outras em inglês, e algumas nesse idioma ininteligível de Lapidu na bo, que parece Português, mas não exatamente...

Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França: um trio brasileiro que faz uma música bem experimental. Trabalha nos silêncios da música, é real, cru. Vale ouvir Metá Metá, o álbum que inclui Ora iê iê o. As letras esquisitas são consequência da influência africana na construção do álbum ("metá" é uma palavra de origem africana).

Jaa9 & OnklP: essa dupla da Noruega tem músicas fortes. Para quem gosta do estilo é imperdível, e além disso, o rap é um estilo cujas letras já são difíceis de entender nos idiomas nativos, então por que não ouvir um em norueguês? 

Uochi Toki: outra dupla de rappers, dessa vez italiana, que é também dona de melodias fortes, e não sei se é porque italiano parece estar sempre revoltado, mas eles parecem putos da vida na letra, é bom para ouvir em momentos de revolta.

2 comentários:

  1. O post é um dos melhores do blog, adorei e retrata exatamente o que ocorre não só no Brasil, mas em muitos países por ai... Apesar das bandas nacionais ( me perdoe o palavreado ) do caralho, as norte-americanas ainda reina! Hahahaha Essas bandas acima, sem duvidas entraram pra minha playlist ;)

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