segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O feitiço de Nina Simone

Carolina Ito

I put a spell on you (1965), disco da cantora e pianista Nina Simone, me enfeitiçou desde o primeiro contato e sobram lembranças boas embaladas ao som da música de mesmo nome. Uma versão sensual e inebriante da canção escrita por  Screamin' Jay Hawkins nos anos 50.


Nina Simone é o nome que Eunice Kathleen Waymon escolheu para subir aos palcos quando tinha apenas 20 anos. Ela começou a cantar blues na década de 1950 em bares e cabarés pelos Estados Unidos para se manter, enfrentando os pais religiosos que a julgavam por cantar “música do inferno”.

A empreitada começou quando Nina, que possuía formação clássica em piano, foi rejeitada por um conservatório na Filadélfia. Posteriormente, ela não fez ressalvas ao afirmar que havia sido vítima de racismo e, por isso, decidiu abandonar a música clássica para transitar por formas mais populares, como jazz e folk, na época.

Apesar desse objetivo de se afastar do espaço consagrado – e excludente – dos músicos que ela tanto admirava, Nina manteve o refinamento de seu piano na maioria das canções, agora, com um revestimento pop. Em I put a spell on you, autobiografia da cantora, ela escreve que a crítica tem problemas em classificar sua música porque ela toca canções populares em um estilo clássico e com a técnica de piano influenciada pelo jazz.

Na última década antes de sua morte, em 2003, foram vendidos mais de um milhão de discos e coletâneas no mundo todo, provando que essa mistura foi importante para a formação artística de Nina.

Ela também teve um papel importante na luta pelos Direitos Humanos, o que lhe custou o exílio para a África após ser perseguida em seu país. Depois desse período, mudou-se para Europa, onde obteve um doutorado em música e outro na área de humanidades.

Algumas canções compostas por Nina como Mississipi Goddam, Four Women e Strange Fruit indicam sua posição como cantora de protesto, como ela mesma gostava de se declarar. Em entrevista a uma emissora brasileira, ela até se comparou a Bob Dylan, no sentido de não separar música de política.

Com a ajuda internet, Nina conquista novos admiradores a cada dia (como foi o meu caso) e se torna mundialmente conhecida por seu timbre grave, seus penteados, sua pele hipnotizante, sua irreverência, entre tantos outros adjetivos.

Assista à apresentação de Nina Simone, no Harlem Festival, cantando os hits Ain't got no - I got life e I loves you, Porgy:

Nenhum comentário:

Postar um comentário