sábado, 17 de novembro de 2012

Minha mente está em seu caos



Vanessa Souza

Eu conheço a Megh Stock já há algum tempo. Para ser mais precisa, desde o Luxúria, banda de que a cantora fazia parte lá por 2006. Não gostava. Achava um pouco pretensiosa, para dizer a verdade. Não lembro por que motivo e também nunca mais ouvi aquelas músicas, então posso ter estado errada. Só sei que, em 2008, Megh colocou umas músicas no MySpace como parte de seu novo projeto – dito solo, mas a banda continuava a mesma. Eu não faço idéia do porquê de eu ter ido ouvir. Juro que não foi para criticar. Acho que li em algum lugar que o estilo dela tinha mudado. Dessa vez, adorei.

Foto: divulgação/Oversonic Music
Naquela época, eu estava começando a conhecer o mundo mágico do soul, R&B, blues e afins. Naturalmente, a maior parte dos artistas que estavam mais perto do meu alcance era internacional e a Megh me encantou logo de cara por usar essas referências em um som em português. Misturei aquelas cinco ou seis canções a algumas músicas que eu tinha da parte deluxe do álbum Rockferry da Duffy e fui feliz.

Em 2009, veio o álbum completo, Da Minha Vida Cuido Eu. Achei que a metade que já tinha sido lançada antes não 'combinava' bem com as inéditas. Parecia ter um abismo temporal entre elas. Talvez a razão de eu ter achado isso foi a minha relação emocional com as canções, que, de um ano para o outro, ficou um pouco diferente.

O tempo passou, eu me afundei no neo soul, perdi-me no pop alternativo e, de repente, não tinha mais música para ouvir. É aí que a gente sai na caçada por coisa nova, dá umas voltas* e acaba redescobrindo um artista com um lançamento interessante. O que eu achei, no fim, foi a Megh e o seu Minha Mente Está em Seu Caos, lançado em dezembro de 2011.

Minha Mente Está em Seu Caos
Ouvi o álbum inteiro de uma vez e ele me pareceu bem conciso. Começando logo com a faixa O Rei e seguida do primeiro single Vestido de Festa, a energia dos metais aparece com tudo. Foguetes tem versos fortes como "Tanto faz pra mim desaparecer de repente / não sei mais se o meu sangue é realmente quente".

Um dos destaques é Sambando Só, a canção mais triste dos últimos meses. Ou será que Conhaque é mais? A certeza é que as duas apertam, esmagam o coração, mas isso é o que faz delas ainda mais lindas. Uma pontinha de pop é percebida na batida de Caixa Preta e o álbum chega ao fim com Cilada e mais um pouco de blues.

Confessional é o tom do álbum. E o que Megh Stock está contando entre o pop, o rock e o soul é verdade muito bem cantada por sua afinada mas ainda assim espontânea voz. Vale a pena não deixar para depois e ver o primeiro clipe do disco já.



*Antes de chegar à Megh Stock, finalmente ouvi o The Miseducation of Lauryn Hill, reencontrei a Selah Sue e baixei a discografia do Matchbox Twenty. Recomendo tudo. Por isso estou contando aqui a minha jornada, caso a Megh não seja o seu "momento musical". Eu tenho dessas. Talvez você tenha também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário