segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Vermelho de esquerda

Monique Nascimento

Seguindo com o “especial Vermelho”, hoje é a vez do vermelho de esquerda, militante e contestador do Rage Against the Machine. A banda já tem 21 anos de estrada e durante todo esse tempo nunca mudou o foco de sua música: a crítica ao sistema capitalista.

A estrela vermelha parece familiar? Foto: David Atlas

A banda de rap metal já foi alvo de muitas polêmicas, uma delas aconteceu aqui no Brasil no Festival SWU em 2010. Durante o show, já cheio de pequenas dificuldades como distúrbios na plateia e falha no som, o guitarrista Tom Morello colocou um boné do Movimento dos Sem Terra, o MST. A transmissão, que estava sendo feita pelo canal Multishow, foi interrompida e não voltou mais. Alguns acreditam em censura, mas o canal pago afirmou problemas técnicos. O fato é que milhares de pessoas que acompanhavam o show pela televisão ficaram furiosos e protestaram no twitter e no site do Multishow. Tom Morello twittou sobre o episódio dizendo: "this is how it ended. I understand the network cut away when I put on the MST hat. That means we're winning" (Tradução: Foi assim que terminou. A transmissão de tv foi cortada quando eu coloquei o boné do MST. Isso significa que estamos ganhando).

Nesse mesmo show, o hino da Internacional Comunista foi tocado e a música People of the Sun foi dedicada “aos nossos amigos” do MST, nas palavras do vocalista Zack de La Rocha.

Além dos shows intensos, músicas com letras politizadas e por seu engajamento em diversas causas, o RATM é conhecido por fazer clipes com mensagens bem especificas.

Freedom – “The militant poet in once again”

O clipe se pauta no caso de Leonard Peltier, um ativista do Movimento Indígena Americano (AIM), acusado de matar dois agentes do FBI em 1975. Peltier cumpre dupla pena perpétua desde de 1977, mas o julgamento é controverso. A Anistia Internacional citou preocupações com a justiça do processo, classificando-o como “Unfair Trial” (Julgamento Injusto). Entre os pontos suspeitos do julgamento está o depoimento de Myrtle Poor Bear, uma indígena americana que alegava ser namorada de Peltier e testemunha dos assassinatos. O problema é que Myrtle confessou depois ter sido pressionada e ameaçada por agentes do FBI a dar as declarações.
O clipe mostra cenas do documentário Incident in Oglala, que trata do caso. No final os dizeres “a justiça não foi feita” aparecem, deixando clara a posição da banda. Em 1994 eles inclusive promoveram um show beneficente “Pela Liberdade de Leonard Peltier” que arrecadou pouco mais de 75 mil dólares para a defesa do indígena.



Guerrilla Radio – “It has to start somewhere, It has to start sometime, What better place than hereWhat better time than now?”

Gerrilla Radio traz o problema da exploração de trabalhadores do setor de roupas e mostra cenas como a de um homem “retirando dinheiro” das trabalhadoras e uma filha sendo separada de umas dessas mulheres. A luta pelo direito desses trabalhadores não se resumiu ao clipe. Em 13 de dezembro de 1997, em Santa Mônica, Califórnia, Tom Morello foi preso por desobediência civil em uma “marcha de consciência” contra exploração do trabalho e os abusos cometidos pela marca Guess?. Dias depois outdoors foram espalhados em Las Vegas e Nova York com os dizeres: “Rage Against Sweatshops: We don’t wear Guess?”



Testify – “Who controls the past now controls the future, Who controls the present now controls the past, Who controls the past now controls the future, Who controls the present now?”

Dirigido por Michael Moore, Testify é uma crítica aos candidatos à presidência americana em 2000, George W. Bush e Al Gore, e à falta de opção de candidatos e propostas no sistema eleitoral. Ambos mostram a mesma posição diante de temas como pena de morte e apoio ao livre comércio. Essa semelhança é mostrada através de trechos de seus discursos que se encerram sempre com um “God Bless You” (Deus abençoe você).
Questões como a dependência americana de petróleo são abordadas também, acompanhadas de imagens da Guerra do Golfo e de países do terceiro mundo.
O vídeo termina com a citação: "Se você não está ligado à política, a política vai se voltar contra você."



O RATM também encoraja esse ativismo em seus fãs. No site oficial da banda, há uma seção chamada Freedom. Nela, a banda elege o “Freedom Fighter of the Month”, alguém que luta pela liberdade em sua comunidade. Segundo o site “a Rage está dando a oportunidade de ter seu trabalho reconhecido” e estimula todos que quiserem se envolver, já sendo um ativista ou não. Basta mandar um e-mail para freedomfighter@rageagainstthemachine.com, descrevendo suas ações. Seja alimentar desabrigados, organizar protestos, lutar contra a censura, o racismo ou a exploração econômica etc.
A foto do “Freedom Fighter of The Month” poderá ser colocada no site junto com uma declaração pessoal, fotos relacionadas, desenhos, artes e até um apanhado de notícias sobre as ações.

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