quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O timbre e o groove de Selah Sue

Amanda Lima

(Foto: Divulgação)
Existe um tipo de timbre difícil de descrever e fácil de identificar, que raramente se encontra em vozes que cantarolam por aí. Quando aparece, a atenção redobra, o ouvido se contorce diante daquele som 'desconfortável'. A cantora e compositora belga Sanne Putseys, conhecida por Selah Sue, é uma das poucas que carrega essa característica, que a distingue de outros músicos.

Selah Sue aproximou-se efetivamente da música aos 15 anos, quando aprendeu a tocar violão e começou a compor. Apenas dois anos depois, recusou uma oferta de contrato da Universal que a propunha cantar canções de um produtor belga. O motivo da recusa foi o de que a artista gostaria de cantar suas próprias composições, o que aconteceu em pouco tempo.

Em 2008, aos 19 anos, a cantora lançou seu primeiro EP, intitulado Black Part Love e composto por cinco faixas. Daí em diante, grande parte de seu desenvolvimento musical se deu graças à casa de shows Ancienne Belgique, que oferecia suporte a artistas no início da carreira e sem vínculo com gravadoras.

Selah Sue (2011)
Seu álbum de estreia, Selah Sue, foi lançado em março de 2011 e já vendeu mais de 400 mil cópias, metade delas só na França. A popularidade crescente deve ser um dos motivos pelos quais suas composições chegam por acaso a alguns ouvidos, como o meu. Um dos traços marcantes do disco de Selah Sue é a influência clara do soul, do folk e, em várias faixas, do reggaetón, uma variação do reggae jamaicano com pitadas de hip hop.

A sonoridade típica do neo soul aproxima Selah aos perfils musicais de Asa e Ben l'Oncle Soul, ambos já retratados aqui. A reconstrução da black music da década de 1970 apresenta-se clara, rejuvenescida e cheia de frescor no disco da cantora belga e em artistas que, como os citados, fazem parte do cenário contemporâneo do R&B.

Explanations by Selah Sue on Grooveshark

Em Selah Sue, a artista reúne desde músicas dançantes, mais alinhadas à proposta musical do reggaetón, como Raggamuffin, até composições que imprimem a harmonia cadente do soul, como Summertime. Além disso, o som acústico é valorizado em Mommy e Explanations. Nesta, alguns efeitos sonoros e violino são os únicos elementos que se unem ao som do violão. Outro destaque é a participação de Cee Lo Green em Please.

Depois de pouco mais de um ano desde seu lançamento, o álbum teve cinco singles: Raggamuffin, Crazy Vibes, Summertime, Zanna e This World. Ouça um deles:


O site de Selah Sue disponibiliza a íntegra do disco por stream.

Um comentário:

  1. Show Mandi, ta de parabéns pela descoberta e pela matéria.
    Obrigado por compartilhar música boa!
    Um beijão, Maninho!

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