domingo, 7 de outubro de 2012

No pequeno inferno de Dallas Green

Isadora de Moura 

O tema do especial deste mês é, digamos assim, diferente. A ideia surgiu de uma chapação abstração que vai relacionar a música e a cor vermelha. Dallas Green é o canadense que me inspirou na hora de relacionar música com vermelho, e eu convido todos os leitores do Play This Beat a colocarem seus fones e conhecerem um pouco mais do pequeno inferno de Green. Pode parecer estranho, mas por trás da guitarra agressiva do Alexisonfire e do violão intimista de City And Colour se esconde a mesma pessoa.

De Dallas a Green: do post-hardcore ao intimismo
Little Hell (2011) é o mais recente de uma sequência de três álbuns lançados por City And Colour – projeto que enche de introspecção e melodia lamentosa o bom e velho folk. O primeiro álbum de estúdio veio em 2005, sob o nome de Sometimes, uma compilação das primeiras músicas que circulavam ainda meio perdidas pela internet, dentre as quais Comin' Home não pode passar em branco.

E por um motivo bem simples: a intensidade com que Green consegue se espalhar, sem o menor esforço, por todos os cantos do quarto de quem acordou com algum aperto de alguma natureza no coração. Green canta para ele mesmo: sussurra suas indagações e lamentações para quem ouve, e, assim, alcança aquele último nó que você acreditava já ter desatado da sua garganta.

Em 2008, foi a vez do álbum Bring Me Your Love chegar às lojas, com o single The Girl, que rendeu para Green o prêmio de melhor compositor no Juno Awards de 2009, premiação canadense. Um álbum mais maduro, na visão de Green, e que mostra, em definitivo, que o vocal limpo e a simplicidade não se separam de City And Colour.

Três anos depois, somos convidados a conhecer Little Hell (2011), álbum que mescla mais elementos à voz e violão que são do costume dos fãs da banda. “Quando eu comecei a escrever [para o Little Hell], todas as músicas começavam basicamente comigo e com o violão, e com esse álbum, eu comecei a ter mais ideias para a estética da banda como um todo; eu sabia que as canções precisariam de bateria, baixo e guitarra”, disse Green em entrevista à AMP (American Music Press) Magazine.

E na entrada desse pequeno inferno está a primeira faixa, Fragile Bird, que convida os fãs acostumados com aquele City And Colour de quatro paredes e muito silêncio a explorarem o Little Hell, um inferno acolhedor, onde não é um problema apenas fechar os olhos e ficar em silêncio, se você quiser.


*Isadora de Moura é estudante de Jornalismo e confessa que, logo que a convidaram para escrever sobre a cor vermelha e música no blog, pensou na Fafá de Belém toda rechonchuda e sorridente cantando “Vermelho”.

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