quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mais do mesmo?

Mayara Abreu Mendes

Dez anos se passaram desde a formação de The Killers em algum lugar de Las Vegas. Unidos inicialmente por causa do Oasis e de um anúncio de jornal, maquiagens, distorções e a composição de Mr. Brightside fizeram com que a até então dupla Brandon Flowers (vocais) e Dave Keuning (guitarra) começasse a ganhar um público bem específico nos bares em que tocava. No meio desse público estavam Mark Stoermer (baixo) e Ronnie Vannucci (bateria), que logo se uniram à dupla e formaram o The Killers que a gente conhece até hoje.

Foto: divulgação

Durante essa década de existência, quatro álbuns foram lançados. O primeiro, Hot Fuss, veio para fazer com que os Killers conquistassem um público muito grande logo de cara. O álbum foi lançado em 2004, dois anos após a formação da banda. A apaixonante e a primeira de todas Mr. Brightside - que é tocada pela banda em todos os shows até hoje - está nele, assim como Smile Like You Mean It, Somebody Told Me e All These Things That I’ve Done. As definições do The Killers surgiram aí: new wave, dance rock, pop alternativo e synthpop.

Em 2006, veio Sam’s Town. Sem tantos sintetizadores e com maior foco em sons da guitarra, alguns fãs ficaram abalados, mas novos passaram a amar a banda. O som ficou bem mais pesado e diferente daquilo que já haviam feito, porém a qualidade do álbum é evidente. Bones e When You Were Young são os grandes hits do segundo disco.

Já em 2007 foi lançada uma compilação de lados B da banda. Sawdust conta com remixes, covers e algumas poucas inéditas. Os integrantes queriam agradar aos seus fãs com um álbum cheio de músicas que agradam aos próprios músicos.

Continuando com a frequência de dois em dois anos de lançamento de álbuns exclusivamente com inéditas, surge Day & Age, o terceiro álbum dos Killers. Human e Spaceman estão nele. A volta das músicas new wave e dance rock foi um presente aos fãs mais antigos da banda e demonstrou que o som deles pode evoluir (e muito) mesmo que não seja tão ousado.

Falei tudo isso para chegar aonde queria: no Battle Born. The Killers ficou quatro anos sem lançar nada novo, apenas fazendo shows com sua última tour. Comprovando o mesmo fato do disco anterior, a banda voltou mais madura do que nunca e a tendência aos grandes hits dançantes e cantantes continua prevalecendo. Por ser muito parecido com aquilo que já haviam produzido, críticos (haters, na minha opinião) disseram que o álbum deixou a desejar e não foi nada inovador. O que é bem equivocado de se dizer, uma vez que, para começar, Battle Born tem até uma pitada de country, nunca antes usada pelos Killers. Além de contar com canções românticas mais melosinhas, também inédito para a banda.

Capa do álbum. Foto: divulgação

O álbum começa com Flesh And Bone. A sintetização e a distorção iniciais fazem a música ser uma ótima escolha para abertura. Durante a faixa, as características marcantes de refrão fácil e música que dá vontade de se mexer dos Killers se mostra bem presente.

A faixa seguinte é a escolhida para single, Runaways. Lançada em 10 de julho, a música já se tornou um sucesso entre os fãs e está na mente de todos. O som é bem característico do The Killers e a voz de Brandon Flowers está excelente desde o início até o ápice, nos versos que antecedem o refrão e no próprio refrão. Basta ouvir a canção uma vez que você se pegará cantarolando-a em algum momento do dia novamente.

A terceira música é The Way It Was. Com um som mais leve do que Runaways, a música continua com a tendência animada do início do disco. A letra é a mais melancólica até agora e as distorções quase não estão presentes, dando maior destaque ao som dos instrumentos.

A canção de número quatro é Here With Me, que inicia a linha romântica do álbum de forma que dá vontade de arrancar o coração só para abraçá-lo. A letra é lindíssima e a voz de Flowers dá aquela sensação de coisa fofa. É uma música que poderia ser aquela lenta que os jovens costumavam dançar juntinhos antigamente.

O disco segue com A Matter Of Time. Com uma pegada bem parecida com o hit Somebody Told Me, dá vontade de cantar junto com Brandon, como se fosse um hino. Todos os instrumentos estão bem casados e dão uma sonoridade incrível à música.

Foto: divulgação

Deadlines And Commitments, a faixa seis, não é uma das minhas preferidas, apesar de ser muito boa ainda assim. O pop está fortemente presente nessa, o que não me agrada muito, mesmo sendo uma fã do ritmo. Senti falta de uma guitarra e de menos sintonização. Mas a parte vocal está perfeita.

Depois dessa, vem a minha favorita do álbum: Miss Athomic Bomb. Ela também tem uma linha mais pop, porém com instrumentos como a guitarra e o baixo mais marcados e com bem menos distorção. O som é bem limpo, a música é bem leve e a letra é super legal.

The Rising Tide é a oitava música. O estilo dessa é bem parecido com o da faixa anterior, só que com ainda mais guitarra, incluindo um bom solo de Keuning. Há distorções e sintonizações, entretanto muito bem usados, suavizando o som mais pesado dos instrumentos.

Chegamos à canção com a letra mais fofa do álbum. Heart Of A Girl começa com basicamente apenas a voz de Flowers (com um leve acompanhamento de baixo ao fundo). A guitarra sobe durante os versos e os outros instrumentos começam a acompanhar. É uma excelente música para se ouvir tanto para ficar bem ou para curtir uma bad.

From Here On Out vem para acabar com a fofura e para trazer uma onda meio country ao disco. É uma excelente canção, com um toque perfeito de pop e guitarras bem marcadas. O trabalho dos backing vocals durante a música é excelente também. Concorre a uma das minhas favoritas facilmente.

Mas aí a décima primeira canção, Be Still, traz toda a melancolia e vontade de chorar de volta. Essa é para aqueles dias de depressão profunda. Até a voz de Flowers faz chorar. Destaque para a bateria eletrônica e para o teclado, que suavizam a vontade de nunca mais levantar da cama.

Para fechar, a canção que dá título ao álbum: Battle Born. Talvez seja a música mais diferente do disco todo. A letra fala sobre o mundo atual, a melodia se altera entre o calmo e o pesado e está tudo muito bem sincronizado. Excelente música para se fechar um álbum.

Battle Born tem recebido muitas críticas de amor e muitas críticas de ódio. Eu, particularmente, adorei. The Killers demorou quatro anos para lançar um bom álbum e fizeram um excelente trabalho assim.


4 comentários:

  1. muito boa a resenha,parabens!Concordo com vc,esse album e diferente do que eles ja fizeram.Mas a minha preferida e A Mater of time ;)

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  2. Oi, Dani! Muito obrigada, de verdade! Percebi uma diferença enorme, mesmo muitos fãs e críticos discordando de mim (e de você!).
    A Matter Of Time realmente é muito boa!

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  3. Gostei da resenha, mas na minha opinião Miss Athomic Bomb e Heart of a Girl são as piores músicas do album haha.. Mas mesmo assim eu não as pulo.. Prefiro ouvir o CD completo..

    Agora Deadlines and commitments é uma das melhores músicas do álbum na minha opinião..

    Se tivesse que escolher as músicas do novo álbum para que ele toque aqui no Lollapalooza seria: Runaways, The way it was, deadlines and commitments, here with me, e aí ficaria em dúvida entre matter of time e rising tide..

    Agora, não sei se vc já ouviu a versão deluxe desse álbum, mas tem uma música chamada carry me home que é muito legal tbm.. Vale a pena!

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  4. Ouço o CD completo também, todas são muito, muito boas!
    Runaways é realmente muito, muito boa! E Here With Me é uma graça!
    Eu vi que saiu a versão deluxe, mas acabei não indo atrás pra ouvir! Obrigada pela dica :D

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