terça-feira, 2 de outubro de 2012

Harmonia eletrônica ou ruído clássico?


Carolina Baldin Meira

Sempre achei demais a miscelânea entre arte popular e o chamado “erudito”. Também identificada como sintoma do pós-modernismo, essa mistura é na música, a meu ver, a junção de fatores culturais básicos: os ritmos que atingem as massas e os elementos que, mais do que clássicos, são parte intrínseca da história musical.

Seguindo o tema do especial deste mês, pensei em alguma combinação inusitada entre o popular e o clássico – e quando dei por mim, estava ao som de sintetizadores, remixagens, pianos eruditos e violinos. Música eletrônica com música clássica. O que à primeira vista parece uma junção arriscada mostrou-se uma agradável surpresa. Apesar de inusitada, o que se destaca é a harmonia entre o som dos instrumentos eruditos e as dançantes batidas eletrônicas.

Prelude Du Passé by Aufgang on Grooveshark

Do país da música clássica para a geração techno: o trio francês Aufgang (Foto: lastfm)


O exemplo que trago vem lá da França – país de origem, aliás, de grandes nomes da música clássica – o trio Aufgang. A data de nascimento da banda é 2005, ano em que os músicos se apresentaram pela primeira vez no conceituado festival Sónar, em Barcelona. Desde então, não pararam mais: ao todo foram lançados três EP’s e um álbum autointitulado. No MySpace da banda, tive a minha atenção presa pela pergunta, aqui traduzida do inglês: “Estaria o trio Aufgang acabando com o dogma dos gêneros musicais?”.

Good Generation by Aufgang on Grooveshark

E acho que essa é questão-chave: estaria a mistura de gêneros agregando elementos ou prejudicando a esfera musical? Vista com olhos desconfiados por muitas pessoas, a música experimental é uma das vertentes que mais cresceu durante o século XX. É um desafio, mas também uma ruptura de conceitos. Não precisamos ir muito longe para entender: o que seria do ser humano sem a curiosidade? A improvisação é histórica, é inata, é social. O simples fato de tocar um instrumento já seria uma experiência sensorial. Resta à música experimental, portanto, quebrar tabus unindo o que é considerado “oposto”, como neste caso: o erudito e o eletrônico.

Com os franceses do Aufgang, a fórmula da criatividade está em tornar os instrumentos eruditos mais presentes no cotidiano dos jovens, ao mesmo tempo em que se busca a quebra da “barreira” entre público mais velho e os elementos eletrônicos. Confira o vídeo de “Dulceria”, de 2009:


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