quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sobre a não-entrevista com Coruja BC1


Nota do Play This Beat:

Este texto havia sido publicado no dia 31 de agosto, mas, por conta de alguns mal entendidos, optamos por deletá-lo para reavaliação do conteúdo.  O texto não foi escrito com a intenção de desmerecer o trabalho desenvolvido pelo artista citado e, muito menos, prejudicar a imagem do Ponto de Cultura. A narração em primeira pessoa, característica comum às crônicas, tem o objetivo de relatar uma experiência pessoal e propositalmente imbuída da subjetividade de quem escreve, o que não é o método convencional utilizado pelo jornalismo que se pretende imparcial e que concorda com o mito da “objetividade” jornalística. Afinal, “de notícias e não-notícias, faz-se a crônica”, como já dizia Carlos Drummond de Andrade.  

Em relação aos comentários apresentados contra a publicação, que incluíam ofensas pessoais, gostaríamos de esclarecer que o texto não foi publicado com o propósito de criticar e julgar o trabalho das pessoas citadas, pelo contrário. A admiração pelo o que é desenvolvido na cidade fez com que surgisse o interesse em propor a entrevista. Reconhecemos a liberdade dos leitores em interpretar o texto e expressar suas críticas e comentários, apenas gostaríamos de declarar o posicionamento do blog ao ratificar a publicação deste post. 

Aí vai o texto na íntegra.



Sobre a não-entrevista com Coruja BC1

Carolina Ito

É difícil começar a história de uma coisa que não aconteceu, mas aqui estou. Até porque eu precisava cumprir o deadline (famigerado prazo para entrega de matérias, no vocabulário jornalístico) e fui encorajada pela minha companheira de desventuras, Julia Germano Travieso.

Essa não-história começa com uma caminhada labiríntica até a sede do Instituto Acesso Popular, em Bauru, onde aconteceria a entrevista com o rapper Coruja BC1. Confesso que houve uma pequena confusão para encontrar o endereço, já que estávamos numa rua que repentinamente se dividia em três partes desconexas - engenheiros de trânsito, aqui vai meu apelo: ajudem as pessoas com pouco senso de direção!

Dando continuidade a essa epopeia urbana (ou não), Julia e eu chegamos ao nosso destino. O lugar ficava ao lado de um consultório de dentista e não parecia muito com um ponto de cultura hip hop, mas até aí tudo bem. O problema é que as luzes estavam todas apagadas e o cadeado na porta indicava que ali não havia uma alma viva sequer. Ok, vamos esperar alguns minutos e ver se o Coruja aparece.

Não, ele não apareceu. Por uma infelicidade do destino ou, quem sabe, coincidência com o nosso inferno astral, não rolou a entrevista que seria publicada neste blog. Será que a gente se enganou? Será que existe outro lugar com o mesmo nome? Será que ele esqueceu a entrevista? Muitos “serás” e nenhuma resposta nesse monólogo a duas.

Sentadas na borda de um canteiro com plantas espinhosas, nos olhamos com ar de conformidade, tomadas por um sentimento “loser”. É, ele não vem mais...

Passagem aleatória

Espiando pelo buraco do muro (foto: Julia Germano Travieso)
Foi aí que decidimos checar o que havia numa casa ali perto, que chamava atenção pelas paredes repletas de grafites e o cheiro de comida gostosa. Era só pra ter certeza de que o cara não estava por aquelas bandas. E se rolasse um rango também não seria mal.

O muro era baixo e o portão de ferro estava aberto de maneira escancarada. Parecia convidar qualquer curioso a entrar e, no caso, as curiosas éramos nós. Uma olhadinha pela abertura do portão e enxergamos um jardim sinistro com muitas árvores e mato. O cheiro de comida que saía de dentro da casa dizia ao meu estômago: vai, entra logo!

Julia, com seu espírito desbravador, foi na minha frente e gritou para ver se tinha alguém. Apareceu um moço que aparentemente não desconfiava das duas estranhas que entravam no seu quintal. Quase achei que ele ia convidar para o jantar, mas não.

No fim, ele não tinha nada a ver com o Acesso Popular e nem com o pretenso entrevistado, então, decidimos ir até o bar da esquina. “Vamo tomar uma breja. É o único jeito de fazer esse rolê valer a pena”, foi minha grande conclusão da noite.

Como tudo terminou (foto: Julia Germano Travieso)
Confirma!

Um boteco, um cachorro, cervejas trincando no freezer. Esse foi o cenário que encerrou nossa missão. 

Os pôsteres de bandas de rock nas paredes do bar indicavam que a noite não estava para o rap, muito menos para entrevistas. Os salgados dourados da estufa aumentavam minha fome, mas preferi ficar só na cerveja.

Nessa hora, o refrão de uma das músicas do disco do Coruja me veio à cabeça:

“A vida não tá fácil pra ninguém... Confirma!” - com a participação de Dom Black, diga-se de passagem.


A parte boa de tudo isso é que o funcionário do bar não pediu meu RG quando fui comprar a bebida, o que aconteceu raras vezes ao longo de meus 19, quase 20 anos. É, tô ficando velha...

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