segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ama a vida e segue

Mayara Abreu Mendes

Não é segredo para ninguém que tenho um amor enorme por O Teatro Mágico. Já escrevi dois textos sobre a banda para o Play This Beat e estou sempre cantarolando alguma canção deles ao longo do dia. Porém, o que pouca gente sabe é que além d’O Teatro Mágico, quase todos os músicos do grupo tem um projeto – muitas vezes musical também – paralelo às apresentações e às gravações em conjunto. O vocalista Fernando Anitelli tem seu projeto Anitelli Trio, o percussionista Willians Marques faz parte do grupo Pindorama, o Galldino tem sua carreira solo, e por aí vai.

Tá, agora você deve estar se perguntando: “Por que essa louca tá falando tudo isso? Ela só quer mostrar que é tiete e fã maluca?”. Não, não quero. Ok, posso ser tiete e fã maluca, mas fiz essa breve introdução para chegar ao Galldino. O tema do especial deste mês é sobre músicas que fazem o encontro do erudito com o popular, e é exatamente isso que o Galldino faz.

Galldino em apresentação com O Teatro Mágico.
Foto: Mayara Abreu Mendes

Galldino gravou seu primeiro álbum em carreira solo em 2008. Octopus I, como o álbum é chamado, foi o pontapé para as experimentações autorais que o músico fez e que deram e dão muito certo. O objetivo de Galldino era criar uma música universal, que pudesse ser ouvida por todas as classes socioeconômicas e que fosse de fácil acesso. Para isso, disponibilizou todas as faixas em sua página no Trama Virtual.

Não demorou muito para que o número de execuções das músicas começasse a crescer. Todas as faixas fizeram parte do TOP 10 de mais executadas no site do Trama e o CD ficou na lista dos 50 mais vendidos durante o ano de 2010 inteiro. E, além disso, o número de downloads das músicas ultrapassou os 50 mil.

Mas não é para menos. A mistura de instrumentos e estilos musicais está presente a todo momento, passando por músicas mais agitadas, sobre temas cotidianos, e chegando a romances melosinhos, um tanto sofridos. O uso do violino é bem marcado, assim como o do piano. A faixa Atemporanea diz muito sobre esse misto de instrumentos e a ideia do erudito está bem implícita.

As letras de Octopus I são, talvez, a parte mais intrigante – e, por que não, erudita - de todo o álbum. Basta pegar a letra de Hedonista, por exemplo, em que você pode encontrar a mais pura poesia. “Caleidoscópio desprovido de luz/ Um breu propagando luminosidade” diz mais do que o ritmo leve e romanceado fazem parecer.

Um de seus maiores xodós: o violino.
Foto: Mayara Abreu Mendes

Com o grande sucesso de seu primeiro álbum, Galldino teve que se esforçar para mantê-lo em Twítticas. A proposta toda deste disco foi diferente, a começar pelas letras. Galldino se propôs a fazer poesias minimalistas e, juntando sua ligação forte e direta com as redes sociais, pensou e chegou a uma conclusão: todas as faixas de seu álbum mais recente teriam, no máximo, 280 caracteres, cabendo em dois tweets.

Porém, as letras não deixaram de ser carregadas de muita poesia e beleza, como em (Des)Amar: “Momento e eternidade/Se encontraram no silêncio e no som/E se uniram na imensidão de um amor”.

Já na parte musical, a maior parte dos sons foi produzida pelo próprio Galldino. Violão, violino, edição dos sons gravados e muitos outros instrumentos passaram pelas mãos do intérprete, compositor e músico. Além disso, a produção toda dos discos foi feita por conta própria, com o apoio financeiro de fãs e outros patrocinadores. Aqueles que colaboraram com o financiamento do CD receberam o disco em primeira mão, antes mesmo de ser lançado oficialmente.

Galldino se preocupa sempre em fazer essa junção do erudito com o popular para agradar a todos e, para mim, é um dos maiores exemplos dessa mistura. 

Primeiro clipe oficial

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