segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Para ouvir: três vozes femininas

Carolina Baldin Meira

Não vou mentir: as minhas bandas preferidas têm, em maioria esmagadora, vocais masculinos. Nunca soube explicar direito o motivo, mas acho que escutar por muito tempo o álbum de uma cantora me fazia enjoar mais rápido do que se o músico fosse um homem. E entre discos, músicas e preferências, sempre mantive esse gosto.

Até que, de uns tempos pra cá, essa situação parece ter mudado. Um dos motivos foi o meu encanto pela dupla de irmãos Angus & Julia Stone, descoberta que compartilhei aqui no blog. Ok, eu sei que ainda há vocal masculino envolvido, mas o timbre feminino, nesse caso, é essencial para prender o ouvinte.

E o legal de descobertas musicais assim, meio do nada, é que elas abrem um leque inimaginável de opções novas – e superinteressantes. Foi numa dessas viagens pelo “lado escondido” do Youtube que trombei em uma cantora da Malásia. A talentosa Yuna (abreviação de Yunalis Zarai) tem 25 anos e já lançou dois EP’s (em 2008 e 2011) e um álbum auto-intitulado, em abril deste ano. O que mais me chamou atenção– além do curioso país de origem  – foi o fato de ela cantar em inglês. De acordo com a biografia em seu site oficial, Yuna se inspira, entre outros artistas, nas bandas No Doubt, The Cranberries e na cantora Fiona Apple (outro exemplo de vocal feminino de destaque, e que, por sinal, lançou disco novo, como você confere aqui). Voz suave, violão acústico em mãos e composições próprias: é através da música que Yuna pretende transcender toda e qualquer fronteira. 


Outra voz feminina que me faz rever todos os conceitos e gostos é a da paulistana Tiê. Confesso que, apesar de já ter ouvido há tempos o seu nome entre outros da MPB mais atual (como Tulipa Ruiz ou Ana Cañas), nunca fui atrás de suas músicas. Este ano, após assistir uma entrevista da artista no programa “Ensaios” da TV Cultura, o resultado não foi outro: paixão, tiro e queda. Seja por sua beleza, seu timbre macio ou composições deliciosamente autorais. Desde então, não consigo parar de ouvir os álbuns Sweet Jardim (2009) e A Coruja e o Coração (2011). O primeiro disco, como a própria Tiê define, é mais “cru”, “preto e branco”. E mesmo com o tom intimista e auto-biográfico, é impossível não encaixar nossas próprias histórias em canções como a lindíssima Assinado Eu.


Por fim, minha última indicação é uma cantora que já há alguns anos tem sido exceção a esse meu gosto por vozes masculinas. Não me lembro quando ouvi pela primeira vez, só sei que nunca mais a esqueci: estou falando da nova-iorquina Jaymay (nome artístico de Jamie Seerman). Eu adoro a sinceridade das suas composições e a contraposição entre o seu jeito doce e romântico ao modo até engraçado com o qual ela retrata cotidiano, relacionamentos e desilusões. Mergulhe em Sea Green, See Blue.

Nenhum comentário:

Postar um comentário