domingo, 5 de agosto de 2012

Entre Portugal e Brasil

Vanessa Souza

Quando eu era mais nova, vivia assistindo aos canais latinos de música. A integração musical entre os países ‘hispanohablantes’ era tão grande que eu, às vezes, nem tinha como saber de que lugar eram as emissoras que eu gostava de ver. Tinha clipe de artista de toda parte: Argentina, México, Chile, até Espanha, só para citar alguns. Ficava me perguntando por que isso não acontecia entre Brasil, Portugal e outros países que falam o português. Até hoje não sei direito (chuto que seja por causa dos sotaques diferentes que podem criar uma espécie de barreira linguística e da pouca proximidade geográfica entre as nações que usam a nossa língua), mas decidi que ia tentar descobrir o que está acontecendo com a música em português fora do Brasil – e recrutei as meninas do Play This Beat para fazermos o Especial deste mês baseado nisso.

Depois de um tempinho ouvindo bandas portuguesas para tentar decidir sobre qual eu ia escrever, cheguei a este vídeo:


Como ultimamente ando correndo atrás de todo tipo de pop easy listening que existe, gostei dessa música logo de cara e fui atrás de informações sobre a banda.

O Clã é formado por Manuela Azevedo (voz), Hélder Gonçalves (transbaixos, guitarra e voz), Miguel Ferreira (teclados, sintetizadores e voz), Pedro Biscaia (teclados e sintetizadores), Pedro Rito (baixo elétrico) e Fernando Gonçalves (bateria). Eles começaram a tocar juntos em 1992, mas só foram lançar o primeiro álbum em 1996, o LusoQUALQUERcoisa, que não atingiu sucesso de público. Na verdade, isso só foi acontecer no terceiro álbum deles, Lustro, que até ganhou disco de ouro pelos 20 mil exemplares vendidos.

Foto: site oficial
Em 2006, a banda teve uma tímida integração com o Brasil ao se apresentar aqui e regravar a música Tortura de Amor, de Waldick Soriano, para a compilação Eu Não Sou Cachorro Mesmo, que reuniu covers de vários cantores da década de 1970. O Clã foi a única banda de fora do Brasil a ser convidada.

Em 2007, foi lançado o álbum Cintura, do qual saiu o single Sexto Andar. Nesse disco, há também uma música em que a Fernanda Takai participa, chamada Amuo. Dois anos depois, a banda sai de Portugal e passa pelos Estados Unidos, pela Espanha e pelo Brasil, onde faz três shows (todos em São Paulo) com participação de Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Fernanda Takai e John Ulhoa, do Pato Fu.

No começo do post, citei que um dos possíveis motivos pelo qual a música em português não atravessa com freqüência a fronteira de seu país de origem possa ser o sotaque muito distinto que cada lugar tem. Dependendo só disso, o Clã pode ser ouvido no Brasil sem grandes dificuldades. Mesmo ficando evidente que a vocalista é portuguesa, as letras cantadas por ela não são incompreensíveis para nós (uma breve observação aqui: talvez isso seja um problema exclusivamente meu, já que muita gente me diz que é fácil entender o que os portugueses falam. Eu não entendo nada!). Já na questão do estilo, o som do Clã não é nada chocante. A banda transitou principalmente entre o pop e o rock durante sua carreira, com algumas influências de soul, reggae e outros estilos.

No entanto, o álbum mais recente do grupo seguiu por um novo rumo: Disco Voador, lançado em 2011, é dedicado a crianças, desde as letras até as melodias. O primeiro single, Os Embeiçados, tem um clipe diferente e muito bonitinho. Dá uma olhadinha:

Nenhum comentário:

Postar um comentário