sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ana Cañas "volta"

Vanessa Souza

Volta foi produzido pela própria cantora
O dia escolhido pela cantora Ana Cañas para lançar seu terceiro álbum de estúdio foi 15 de junho deste ano. O sucessor de Hein? (2009) tem várias particularidades se comparado ao resto da discografia da paulista: a criação e gravação dele aconteceram em um sítio em Vargem Grande, Rio de Janeiro. Lá, a cantora usou apenas um microfone para gravar os instrumentos e as vozes, deixando o som de grilos e latidos vazar em algumas músicas. O objetivo disso tudo era levar a energia dos shows para o disco.

Com 16 faixas e mais de uma hora de duração, Volta foi um risco que Ana assumiu ao ficar independente e criar seu próprio selo (Guela Records) para colocar o novo álbum no mercado, exatamente do jeito que ela queria, três anos depois de lançar seu último disco.

1. Será que Você me Ama?
Será Que Você Me Ama? by Ana Cañas on GroovesharkA faixa que abre o disco é bem pop e tem uns toques de jazz típicos da cantora. A letra brinca com o som das palavras e prende a atenção de quem ouve, ainda mais que nesta música é a voz que manda. Tranqüila, agradável, gostosa de ouvir, ainda que meio parada. Um bom começo.

2. Difícil
E a tranqüilidade continua. Aqui, menos jazz e um pouquinho mais de reggae. Letra simples, sem surpresas e música que sugere um bom humor que, se você não entendesse português, talvez chutasse que o tema cantado era outro.

3. Urubu Rei
Urubu Rei by Ana Cañas on Grooveshark
Ana aproveitou esta faixa para mostrar a boa soma de talento e técnica que tem. A canção é simplista, mas é uma das que vale a pena. A energia da Ana aparece aqui, mas em doses moderadas.

4. No Quiero Tus Besos
A letra em espanhol nesta faixa foi uma boa sacada para o clima da música, mas a força que Urubu Rei criou se esvaiu e o álbum voltou ao que era: parado demais. Assim como nas faixas anteriores, mas bastante evidentemente nesta, o baixo de Fábio Sá tenta roubar a cena.

5. Diabo
Diabo by Ana Cañas on GroovesharkMais uma linha de baixo presente, que compete pela atenção do ouvinte com a voz de Ana – e não há qualquer conotação negativa nisso. São elementos que se completam e criam a energia ‘Cañística’ que ainda não tinha aparecido totalmente – o melhor lado da Ana dos outros álbuns –, além de dar uma pequena esperança de que o rumo do disco possa mudar.

6. La Vie em Rose
E a tal da ‘energia’ se perde de novo. Este clássico da Edit Piaf provavelmente foi escolhido para ser regravado pela ligação emocional que Ana tem com ele (era a música que sua avó sempre cantava), já que é uma canção muito batida. A combinação dos melhores instrumentos da banda (voz e baixo) tentam salvar essa escolha um pouco equivocada, já que pelo menos a execução ficou impecável.

7. My Baby Just Cares for Me
Outra cover, agora de uma canção eternizada por Nina Simone. Esta faixa é mais uma exibição de como a voz da Ana é flexível e capaz de quase tudo. Agradável, mas não chama a atenção nem surpreende quem espera por mais um repentino surto enérgico da cantora.

8. Feito para Mim
Feito Pra Mim by Ana Cañas on GroovesharkO arranjo desta música tem aquela cara de ser a versão acústica lançada pelo artista uns bons meses depois de a original ter saído no álbum. Teria um pouquinho mais de graça se fosse mais acelerada e tivesse outros instrumentos em linhas menos previsíveis. Aí, então, esta ‘versão’ teria valor como uma boa surpresa acalmando os ânimos dos fãs mais exaltados enquanto esperam por um novo lançamento.

9. Todas as Cores
Esta música grita por ser um single e ganhar um clipe todo desenhado. Seria um grande destaque se estivesse em meio a canções um pouco mais diferentes. No contexto musical desse álbum, pode até passar batida, quando, na verdade, o arranjo dela está bastante apropriado e o de todas as outras, um pouco equivocado.

10. Volta
Volta by Ana Cañas on Grooveshark
Finalmente a longa e sombria faixa título. Destoa de todo o resto do álbum, não sendo menos genial por isso. É aquela faixa que te faz para o que está fazendo para prestar atenção na dor que a voz baixa, muitas vezes sussurrada, da Ana transmite. Voz, letra e instrumentos aqui estão em perfeita harmonia, sincronia, tudo. Parece ser a única que faz jus aos tempos sombrios da vida da cantora, que antecederam a gravação do álbum. No fim da música, o microfone capta até a respiração dela, que parece se transformar em um choro.

11. Rock and Roll
Mais uma cover, agora do Led Zeppelin. O estilo musical do título quase foi todo embora. A canção se mistura às outras faixas do álbum, já que todas elas se parecem bastante. Talvez a escolha de que canções regravar tenha deixado um pouco a desejar, principalmente se lembrarmos da versão de Coração Vagabundo, de Caetano Veloso, no álbum Amor e Caos e de Chuck Berry Fields Forever, de Gilberto Gil, no álbum Hein?.

12. Foi Embora
Depois de um tempo (e de algumas ouvidas), o álbum embala, já que você já se conformou com a sonoridade dele. Esta canção tem uma pitada de reggae e nada demais, nem a letra.

13. L’amour
Quando foi lançada, muito antes de todas as outras, esta canção parecia muito boa. Lógico que assim continua, mas, a essa altura, o ouvinte não está prestando tanta atenção no álbum e ela quase se perde. Bem executada, mas sem muito destaque, a não ser pela letra em francês.

14. Falta
Falta by Ana Cañas on Grooveshark
Assim como L’amour, a posição desta faixa no álbum a prejudica. Letra ótima, canção muito bonita, mas apagada. Mais uma vez, a energia dos álbuns anteriores faz falta aqui.

15. Amar Amor
Curtinha, com pouco mais de dois minutos, a canção considerada bossa-novista acaba sendo só mais uma na multidão do Volta.

16. Stormy Weather
Na cover que encerra o álbum, o baixo volta a tentar roubar a cena. Boa regravação, mas não apresenta nada novo. Ana improvisa e mostra que a execução está longe de ser o problema deste álbum de altos e baixos. Talvez a intenção de trazer o show para o disco não tenha sido bem sucedida por causa da limitação de usar poucos instrumentos e pela falta de calor humano, tanto da presença banda e da cantora quando da própria platéia. A intenção foi boa, mas não funcionou tão bem quando se esperava.

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