domingo, 8 de julho de 2012

Yeah, Yeah, Yeah. Iê, Iê, Iê


Mayara Abreu Mendes

A década de 1960 começou consolidando o estilo musical que havia surgido recentemente. O rock estadunidense já estava se espalhando pelo mundo e havia chegado na Europa. O som do país norte-americano inspirava novos artistas o tempo inteiro e as mudanças no estilo acabaram sendo inevitáveis. De um lado estavam os jovens artistas, querendo conquistar fãs e fazer sucesso internacional. Do outro, estava o público, fruto do baby-boom, sedento por consumo, pelo novo e pelo irreverente.

O mundo já conhecia e estava familiarizado com os trejeitos e o ritmo de Elvis Presley. Nada que fosse exatamente igual a ele ganharia o mesmo destaque. É aí que o indiano Cliff Richard errou, tentando ser, junto com o grupo The Shadows, o expoente do então chamado rock inglês. As pessoas não queriam outros Elvis; elas queriam o diferente. É nesse cenário que surgem os Beatles, o grupo musical de maior destaque britânico e um dos maiores (se não o maior) representantes do rock como um todo.

Invasão britânica
(Foto: divulgação)
Do The Cavern Club, em Liverpool, para o mundo, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr começaram sua invasão britânica em 1962. The Beatles já existia desde o final da década de 50, porém a formação que ganhou fãs por todo o planeta foi a de 1962, em que os integrantes usavam ternos, gravatas, tinham um cabelo bem arrumado e buscavam uma revolução musical. O rock clássico dos três acordes, com batida forte, letra romântica e fácil de decorar foi esquecido pelos meninos de Liverpool, que usavam a dissonância, o “Yeah yeah yeah”, instrumentos diferentes e efeitos musicais nunca vistos anteriormente.

I Want to Hold Your Hand by The Silver Beatles on Grooveshark

Os Beatles influenciaram toda uma geração não só musicalmente como também cultural e socialmente. Muitas outras bandas surgiram na mesma época baseando-se naquele estilo diferente, como Rolling Stones e The Who.

(I Can't Get No) Satisfaction by The Rolling Stones on Grooveshark

The Who e Rolling Stones tinham uma pegada um tanto mais pesada e distorcida do que os Beatles. Além disso, as duas bandas tinham o estereótipo totalmente oposto ao dos bons moços, uma vez que eram vistos como revoltados, polêmicos e escandalosos.

Paralelamente a tudo isso, três outros grandes marcos musicais nasciam também. Um deles é Bob Dylan. Grande precursor do folk, Dylan fazia parte do movimento Beatnik nos Estados Unidos e era julgado comunista e degenerado pelos tradicionalistas. O público idolatrava Bob principalmente por conta de suas letras polêmicas e revolucionárias.

Like A Rolling Stone by Bob Dylan on Grooveshark

Outro grande nome da década é o dos Beach Boys. Com um estilo de rock mais suave e voltado para o surf, os caras da California conquistaram um outro público, diferente dos que ouviam as outras vertentes. O estilo dos Beach Boys foi considerado a real novidade dos anos 60, já que não foi a evolução de nada que já existia.

Good Vibrations by The Beach Boys on Grooveshark

E, por último, o início do rock progressivo e do underground. Mais para o final da década, com Pink Floyd e Jimi Hendrix, a experimentação e a psicodelia davam as graças à música e ao rock, com a presença marcante da guitarra (principalmente com o gênio do instrumento, o Hendrix). Já com The Doors e Velvet Underground, a complexidade tomou conta: um tanto de poesia nas letras misturado com blues, jazz ou então uma pegada mais pesada.

Assim, no final da década, as coisas começaram a mudar. Mais drogas e mais sexo pediam mais rock and roll. Além disso, um mundo mais livre, com paz e amor era pedido pelos jovens da época. Aí começava o movimento de Contracultura, com os Hippies e, principalmente, com o Woodstock. Os Beatles mudaram, a psicodelia ficou mais forte em toda a música, a revolução fazia parte dos discursos estudantis e mudanças eram imploradas pelo mundo todo. Daí para frente, só nos anos 70.

Enquanto isso, no Brasil...

Jovem Guarda
(Foto: divulgação)
Depois da chegada do som dos Beatles no Brasil, surgia a Jovem Guarda. Conhecidos por dar uma brasilidade para a invasão britânica (virou “Iê iê iê”) e por terem sido originados a partir de um programa de televisão, a Jovem Guarda era originalmente formada por Wanderléa, Erasmo e Roberto Carlos. Com muito bom humor, letras e ritmos divertidos, os três ganharam o Brasil e mudaram o modo de pensar e de se vestir dos jovens da época. Muitos outros integrantes entraram nesse cenário musical com o passar dos anos.

O Calhambeque by Roberto Carlos on Grooveshark

Já no rock psicodélico, era a vez dos Mutantes de Rita Lee e muitos outros. Com distorções e misturas de rock com música típica brasileira, os Mutantes são excelentes representantes do rock nacional. O começo deles foi dado na década de 60, porém a consolidação só veio na década de 70. E aí já é outra história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário