sexta-feira, 27 de julho de 2012

Uma promessa de nome SILVA

Gabriela Passy


“Pamonhinha, tem como voce me cobrir no blog hoje?”

Eu estava caminhando até uma banca de jornal a um quarteirão da minha casa quando essa mensagem chegou apitando no meu celular. Eu podia; a tarde estava livre e o calor, infernal. “Deveria existir inverno nessa cidade”, pensei.

A banca não tinha o que eu procurava; já era a segunda vez no dia que eu procurava certa revista sem obter sucesso. Voltei para casa de mãos abanando e mal humorada.  

Sentei no sofá à espera de que acontecesse alguma coisa, qualquer coisa. Talvez algo caísse do céu para mim. Se bem que, se alguma coisa fosse cair do céu, eu preferiria que fosse chuva. Ou pedaços de chocolate bem grandes.

“E aí, vai ficar com a bunda enfiada no sofá a tarde toda?”. A apenas um metro de distância, o Charlie Sheen estampado na capa da Rolling Stone, com um cigarro na boca, suava no calor piracicabano. O que ele tinha a ver com isso? “Eu faço o que bem entender do meu tempo, Charlie”.

Foto: Jorge Bispo
A provocação de Charlie teve alguma serventia. Lembrei de algo que me chamara atenção na revista há alguns dias atrás. Era uma matéria sobre um tal de Lúcio Silva. Lembrei que fiquei de procurar as músicas dele na internet, mas, como a maioria das minhas anotações mentais, essa tinha sido varrida para algum lugar dentro da minha cabeça. Talvez para trás da orelha, que é um lugar que a gente nunca olha.

Depois de me perder diversas vezes na inversão de prioridades que a internet me provoca, encontrei as cinco músicas do primeiro EP lançado por SILVA (o nome do EP é homônimo - e não, eu não esqueci o Caps Lock ligado por acidente) no final do ano passado, pela internet. Preciso dizer que me impressionei; não era nada do que eu esperava. Afinal, quem será esse moço que tem a cara de colocar uma introdução maravilhosa assim em piano? E depois ainda incluir na seqüência sons tão diferentes do toque do piano que poderiam ter tornado a música um desastre, se não fosse... Bem, se não fosse o Lúcio Silva quem tivesse juntado tudo isso.

Cansei by SILVA on Grooveshark

SILVA consegue unir – de um jeito que a expressão “com maestria” nunca definiu tão bem – a música eletrônica, que conheceu melhor durante um ano vivido na Irlanda, com a própria bagagem musical clássica (ele é violinista desde os 6 anos) e gostos pessoais, mais voltados para o R&B e rap.

Enquanto eu assistia Avenida Brasil, SILVA se apresentava no Oi Futuro de Ipanema, em 21/07/2012. (Foto: Eduardo Magalhães)

Músicas como A Visita conseguem encantar através da simplicidade das formas associadas ao uso de instrumentos como o violino e o xilofone, tipicamente clássicos, artigos em falta na música popular.

A Visita by SILVA on Grooveshark

Imergir tem, (além de uma letra linda) lá mais para o final, o encontro perfeito da batida eletrônica com algo que, pelos arpejos, mais lembra uma harpa.

Imergir by SILVA on Grooveshark

A mistura de elementos é feita com um cuidado fenomenal, como se fosse uma enorme manta costurada em patchwork (um nome chique para a famosa colcha de retalhos): várias partes diferentes entre si que formam um todo mais do que agradável. Foi isso o que mais me chamou a atenção no EP como um todo, e acho que esse é o grande diferencial desse cara que está chegando aos poucos na mídia como promessa da música brasileira.

Quanto a mim, só posso dizer que adorei (fiquei até com certa vergonha de nunca ter ouvido antes), e aguardo ansiosamente pela estréia do primeiro disco do cantor/compositor, pela Som Livre, ainda neste ano. No álbum, as cinco músicas já lançadas ganharão a companhia de outras 7, que já estão sendo produzidas do jeito que SILVA gosta: em sua casa, na cidade de Vitória.

Para ouvir as cinco músicas do EP e ainda 2012¸ adicionada recentemente, acesse http://soundcloud.com/silvasilva/tracks.

Um comentário:

  1. Adorei seu texto e adorei o Lúcio! (já sou íntima rsrsrsrrs)

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