domingo, 15 de julho de 2012

Rock na década da perdição

Amanda Lima

Depois de Elvis Presley, The Beatles, Pink Floyd, o rock parecia ser o estilo musical mais consagrado em todo e qualquer canto do planeta. Surgiu nos Estados Unidos e se espalhou de tal forma que países com culturas muito distintas foram palco para o surgimento de artistas do gênero.

O início da década de 1980 foi marcado pela morte de John Lennon, precursor de uma das bandas de rock mais aclamadas do cenário musical. Para relembrar o que a esmagadora maioria de vocês já sabem, o músico foi assassinado por Mark David Chapman, fã dos Beatles, quando voltava ao seu apartamento em Nova Iorque. De cinco tiros disparados, quatro acertaram John Lennon.

Com o acontecimento, milhares de pessoas poderiam crer no fim inevitável do rock. De fato, a década que se iniciava foi um momento de gestação, do qual nasceram, por exemplo, hard rock, indie rock e pós-punk, além de bandas como Metallica, Slayer e Megadeth, que experimentaram novos sons para criar o thrash metal, que estourou nos anos 80 e influenciou as décadas seguintes.


De AC/DC a Iggy Pop

Mundialmente legitimado e digno de todas as pompas midiáticas, o rock chega àquela que costumam chamar de “década perdida”. A denominação, bastante difundida e generalizada, diz respeito à estagnação econômica observada na América Latina durante os anos 80. Grande parte dos países latinoamericanos sofriam com retração da indústria, crises monetárias e desenvolvimento quase inexistente. Ao redor do mundo, a Guerra Fria ainda caminhava ao seu desfecho  a extinção da União Soviética em 1991 , argentinos e britânicos disputavam as Ilhas Malvinas, povos árabes travavam conflitos.

Bom, mas falávamos sobre o rock. O retrospecto serve apenas para explicar por que críticos musicais abominam o que surgiu no período. Assim como no contexto histórico, a música dos anos 80 também era vista como perdida. Porém, como já diz o título do livro de Norton Juster, Tudo depende de como você vê as coisas. Existem aqueles que, assim como eu, preferem classificar o rock oitentista como de transição.

O estilo extravagante e espalhafatoso de Twisted Sister marcou o rock dos anos 80
(Foto: Divulgação)

Talvez pela grande mistura de ritmos, timbres, instrumentos, harmonias e temáticas, o rock ganhou, nos anos 80, incontáveis gêneros e subgêneros que tornam difíceis as classificações sobre o que pertence ou não a cada categoria. À parte de rótulos controversos, o fato é que o leque de possibilidades se abriu ainda mais para os músicos daquela década.

A morte de John Lennon, é claro, não fez com que tudo o que existia acabasse para o início de algo completamente novo. O arena rock, por exemplo, caracterizado por shows em grandes estádios e arenas, continuou sendo explorado, assim como nos anos 70. AC/DC, Bon Jovi, Aerosmith e Guns N’ Roses foram algumas das bandas que continuaram a popularizar esse tipo de espetáculo. Outros grupos atingiram menor popularidade e faziam shows em ginásios. É o caso de Mr. Big e Whitesnake, por exemplo.

Is This Love, do Whitesnake, foi lançada em 1987 e é um bom exemplo das clássicas baladas compostas pelas bandas do período.

Is This Love by Whitesnake on Grooveshark

O rock alternativo, que abriga uma série de vertentes, também surgiu durante os anos 80 e se popularizou na década seguinte. O estilo é fortemente influenciado pelo punk e é também chamado de pós-punk. É nesse contexto que surgem as alcunhas de indie rock, grunge, britpop e tudo aquilo que não se encaixava nos vários gêneros da época. The Cure, Smiths, R.E.M., Duran Duran e Iggy Pop são apenas alguns dos representantes.

Boys Dont Cry by The Cure on Grooveshark

Algumas bandas de indie rock, como New Order e David Bowie, incorporaram elementos da música eletrônica, com sintetizadores e batidas inusitadas. A influência vinha do new wave, cujo auge esteve nos anos 70. Além de elementos eletrônicos, o mod de 1950 e a música disco também definiam o estilo  o sempre simples punk rock, porém menos agressivo.

O new wave declinou nos anos 80 ao mesmo tempo em que surgia, em Seattle, o grunge, que explodiu nos anos 90, assim como o britpop. A “década perdida” foi, na verdade, berço de grandes nomes e estilos que se consagrariam em muito pouco tempo.

Geração Coca-Cola

A influência dessa variedade de ritmos ajudou a constituir o rock brasileiro da década de 1980. Tidos por muitos como pop rock, os artistas da época alcançaram um sucesso extraordinário. Bandas apareceram aos montes em todas as regiões do país e, além do ritmo, priorizavam uma temática do presente, distinta daquela anterior que idealizava uma sociedade perfeita. A crônica e a poesia do cotidiano tiveram espaço nas composições.

No Rio de Janeiro, surgiram, entre várias outras, Barão Vermelho, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e Blitz, aquela do sucesso Você não soube me amar. Em São Paulo, os grandes destaques foram Ultraje a Rigor, RPM, Ira! e Titãs. Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii também apareceram nos anos 80 e são lembrados com nostalgia por muitos brasileiros.

A grande cara do rock nacional oitentista se fecha com o circuito de bandas de Brasília. É aquela história do Aborto Elétrico, que deu origem a Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. O público desses nomes era tão grande que muitas das bandas sobrevivem e ainda conquistam novos fãs. E, mesmo depois de dezesseis anos da morte de Renato Russo, a Legião Urbana ainda vende discos no mundo todo.

Geração Coca-Cola by Legião Urbana on Grooveshark

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