sexta-feira, 13 de julho de 2012

It’s only rock’n’roll (but I like it)

De progressivo a glam, hard ou punk, o rock tomou conta da década de 70

Carolina Baldin Meira

Incontáveis bandas e artistas, diversas vertentes, um estilo musical: como sintetizar em um único post uma das décadas mais ricas da história do rock? Homenagear os anos 70 com a responsa de escrever no dia mundial do rock não é fácil, não. Comecemos pela origem dessa comemoração. A data remete a 13 de julho de 1985, dia em que o cantor e compositor Bob Geldof organizou o Live Aid  – evento que clamava pelo fim da fome na Etiópia, pressionando autoridades, e alertava o mundo para a miséria na África.

Evento originou o dia mundial do rock (Foto: news.bbc.co.uk)
Onde a música entra nessa história? Foram realizados shows simultâneos nas cidades de Londres e da Filadélfia, ambos transmitidos ao vivo pela BBC, e com a presença de nomes ilustres como  Led Zeppelin, Dire Straits, Queen, The Who, Black Sabbath, Paul McCartney, BB King, Mick Jagger, David Bowie, Scorpions, entre outros. Em 2005 foi realizada uma nova versão do evento, o Live 8 (por causa da reunião dos líderes do G8), que teve como (inesperada) atração o grupo Pink Floyd, numa reunião especial após 20 anos de separação.

Us And Them by Pink Floyd performed by The London Philharmonic Orchestra on Grooveshark

E o que esses nomes têm a ver com o especial de hoje? Quase todas essas bandas e artistas viveram o auge de sua carreira musical nos anos 70. A explicação para o sucesso é simples: a cena cultural deste período estava fervilhando. Acontecia, então, um verdadeiro estouro de alguns dos movimentos que já estavam em prática desde os anos 60. Um deles era o rock progressivo.

Revolução tecnológica

Tal vertente inovadora mostrou suas caras pela primeira vez no fim da década de 60 – vide o álbum Sgt. Peppers (1967), dos Beatles ou as performances psicodélicas e movidas a LSD do Pink Floyd no álbum The Pipers At The Gates Of Dawn (1967) –, mas foi na década de 70 que se consolidou. Apropriando-se de elementos da música clássica, do blues e do jazz fusion, o rock progressivo tem como características  as composições longas (média de 15 minutos, no mínimo), as melodias e harmonias complexas, os álbuns conceituais, as harmonias vocais múltiplas e o uso de sintetizadores e instrumentos tecnológicos a seu favor. Os principais representantes foram Deep Purple (banda que aliou bons equipamentos de estúdio a orquestras), a britânica YES, a clássica banda Emerson, Lake & Palmer (que cativou um público cada vez mais fiel), a banda Genesis (que iniciava uma carreira de sucesso), a canadense Rush, a holandesa Focus e inúmeros outros nomes.

The Lamb Lies Down on Broadway by Genesis on Grooveshark

Nesta época aconteceu também um marco para a história do rock: o fim dos Beatles. Considerada uma das bandas mais consagradas do momento, o quarteto tornou tênue a linha entre consumo e expressão cultural-artística. Sua carreira foi um grande exemplo da transição do rock de composições simples para um ritmo sério e bem mais complexo.

Foi assumindo esse tom mais amadurecido que o rock da década de 70 partiu para álbuns completos, em busca de experimentação e letras elaboradas. Como prova de que na música não há limites territoriais, o Brasil também teve seus representantes neste movimento: o destaque vai para os Mutantes e seu Jardim Elétrico (1971) e A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970), Raul Seixas com Há 10 Mil Anos Atrás (1976) ou O Dia Em Que a Terra Parou (1977) e a banda baiana Doces Bárbaros, de 76, idealizada por Bethania, Gil, Gal Costa e Caetano Veloso.

Tecnicolor by Os Mutantes on Grooveshark

Autenticidade e rebeldia

O rock da década de 70, além de unir psicodelia e música erudita (a banda Queen se consagrou no gênero ópera rock e lançava em 1975 seu primeiro disco auto-entitulado), se apropriou também de elementos do submundo das garagens e originou, entre muitos outros, os movimento do hard rock, e, posteriormente, o do punk rock. A rebeldia underground se destacava nos subúrbios de pequenos bares e casas de show nos Estados Unidos, com representantes da filosofia “do-it yourself”: Blondie, Ramones e Sex Pistols levavam os jovens à loucura com seu ritmo autêntico e agitado. Na Inglaterra, o punk rock criado nos EUA encontrou popularidade – apesar de ser considerado antimúsica por muito tempo. A vertente era uma resposta aos vestígios do rock clássico, levado a sério demais.

Blitzkrieg bop by Ramones on Grooveshark

Paralelo ao despojado punk, o glam rock trazia elementos de valorização da imagem (vistos também em bandas como a americana Kiss, que tocava maquiada e assumia personalidades que iam de demoníacas a animalescas), mas de modo mais colorido, aproveitando até mesmo a androgenia como forma de marketing (o maior representante do exagero na maquiagem e nos cabelos é David Bowie, além de seus contemporâneos T Rex e Marc Bolan). Daí para frente, misturas de element não paravam de surgir, entre elas o new wave, gênero que incorporava música experimental, eletrônica, mod e disco.
The Clash, Led Zeppelin, AC/DC, Motörhead, The Police, Eric Clapton, Supertramp, Iggy Pop, Ozzy Osbourne, Rolling Stones, Aerosmith, The Runaways, Pretenders, Iron Maiden, Judas Priest, Van Halen: dá para montar tranquilamente uma verdadeira lista telefônica com os grandes nomes que fizeram da década de 70 essa mistura de tendências dentro de um só gênero musical, o rock. Obviamente deixei de fora muitos representantes e fatos importantes (e ainda assim o texto ficou gigante, se você chegou até aqui, só tenho a agradecer, caro leitor), mas o espírito que fica é o da nostalgia de um período tão rico e os votos sinceros a um dos estilos mais amados do mundo: long live rock’n’roll!

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