segunda-feira, 23 de julho de 2012

A luz no fim do túnel

Vanessa Souza

A década de 1990 fez sua entrada na história com um ar triunfante em boa parte do mundo. Quase todas as ditaduras latinas tinham acabado nos anos 80 (e as que ainda não tinham chegado ao fim davam seus últimos suspiros), o Muro de Berlim caiu e o apartheid deixou de existir na África do Sul. Mesmo não sendo tudo flores – foi também nessa década que a AIDS se propagou pela África –, o crescimento econômico dos países considerados de ‘primeiro mundo’ e a onda de democracia fez com que o sentimento de otimismo e prosperidade se espalhasse pela população.

Com o fim da ‘década perdida’, o início dos anos 90 revitalizou o rock e fez com que a temática e a sonoridade das músicas mudasse um pouco.

Há exatos 25 anos e um dia, o álbum Appetite for Destruction do Guns n’ Roses era lançado nos Estados Unidos. Esse disco anunciou o grande sucesso que o hard rock faria na década seguinte. Não por acaso, em 1991, os álbums Use Your Illusion I e Use Your Illusion II renderam ao Guns n’ Roses discos de platina. Outros nomes que se destacaram tendo alguma ligação com esse estilo foram Metallica e Van Halen.


Ainda entre o fim dos anos 80 e começo dos 90, em Seattle, surgia um estilo despretensioso que logo mais seria exportado para o mundo todo. Com influências vindas do hardcore e do metal, o grunge apresentava um tipo de rock sem muito refinamento. Os integrantes da banda normalmente tinham uma aparência ‘largada’ e as músicas traziam como temas alienação social, apatia, confinamento e desejo de liberdade em linguagem sarcástica e angustiada. Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains foram as bandas que se destacaram no início, seguidas por Stone Temple Pilots. O estilo se limitou à década de 1990 e perdeu a força depois do suicídio de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana.
Enquanto isso, do outro lado do oceano Atlântico, o britpop começava a dar seus primeiros passos. Mesmo tendo esse nome, as bandas desse estilo incorporavam muito o rock às suas composições. Com influência forte de grupos também britânicos que vieram de outras gerações, Oasis e Blur inauguraram o britpop. Junto deles vieram Radiohead, The Verve e até R.E.M. e Smashing Pumpkins.


De volta à America, o pós-punk da década de 1980 possibilitou o surgimento do chamado pop punk. Green Day e The Offspring surgiram primeiro, seguidos de blink-182 e várias outras bandas que só começaram a ter um lugar na mídia no século seguinte.

Outro estilo que começou a se desenvolver nos anos 90 foi o nü metal. Os precursores Korn, Deftones, P.O.D. e Limp Bizkit foram os modelos seguidos pelos grupos que só apareceram no rádio e na TV anos depois.


Surto de liberdade

Nos anos 90 brasileiros, musicalmente falando, podia tudo: samba, pagode, axé music, sertanejo, ritmos regionais... tudo teve seu lugar na mídia. Até a música infantil fazia bastante sucesso (todos que viveram nessa época se lembram, pelo menos, de Sandy & Júnior e Xuxa).

Meio sufocado por essa avalanche de novos estilos, o rock teve que se misturar e se reinventar para continuar no gosto musical do país. Logo em 1990, a MTV veio para o Brasil e se tornou um forte meio de divulgação da música pop. Algumas bandas – principalmente mineiras – aliaram esse estilo a um pouco de rock e chegaram ao sucesso nacional, como Skank (que também adicionava reggae à mistura), Jota Quest , Pato Fu e a cantora carioca Cássia Eller.

Existiam também bandas que sobreviveram aos anos 80, como Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso. Em um outro cenário, estavam Raimundos e Mamonas Assassinas, que usaram o bom humor em suas letras para chamar a atenção do público. Este último ia além da temática de suas músicas e se apresentavam fantasiados e fazendo coreografias. O primeiro já era mais ligado ao hardcore e ao punk rock

A banda Charlie Brown Jr. também surgiu nessa época, com um ‘skate punk’ e vocais que freqüentemente apareciam em forma de rap. Aliás, alguns representantes do estilo também flertaram com o rock, como Gabriel o Pensador, Planet Hemp e Pavilhão 9.

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