quinta-feira, 7 de junho de 2012

A volta do Garbage

Vanessa Souza

Imagine que você é um artista cheio de idéias e vontade de fazer experimentações musicais para mostrar ao mundo e ver o que ele acha da sua arte. Imagine agora que você está na metade da década de 1990 e não tem a internet como um meio abrangente o bastante para espalhar seu conteúdo. Para piorar, pense que você não tem dinheiro para bancar o tempo necessário de estúdio para conseguir gravar um álbum inteiro. Qual é a saída? Mandar demos para gravadoras até que alguma ache que você tem potencial para fazer sucesso e render alguns milhões para ela.

Essa foi a solução que a banda americana Garbage achou em 1994. Em dezembro daquele ano, a vocalista Shirley Manson, o baixista Duke Erikson, o guitarrista Steve Marker e o baterista (e famoso produtor de bandas grunge até então) Butch Vig assinaram um contrato com a gravadora Mushroom U.K. e lançaram, em 1995, o primeiro álbum da banda: Garbage. Com um rock experimental e guitarras distorcidas, o grupo alcançou sucesso mundial com singles como Vow, Only Happy When It Rains e Stupid Girl. Em 1998, o segundo álbum, Version 2.0, seguiu a mesma receita de seu antecessor e deu continuidade às boas vendas, mesmo que levemente mais pop. Um dos grandes hits lançados desse disco foi I Think I’m Paranoid.

O álbum seguinte, Beautiful Garbage de 2001, não teve muito sucesso de público e a banda se desfez em 2003 quase que em segredo. No entanto, os integrantes rapidamente voltaram a gravar juntos para terminar o quarto disco, Bleed Like Me, lançado em 2005. Depois dele, a banda anunciou um hiato por tempo indefinido para os integrantes desenvolverem seus projetos paralelos.

Sete anos depois, o Garbage volta à ativa com uma surpresa: o quinto álbum da banda seria lançado por uma gravadora independente, a STUNVOLUME, fundada pelo próprio grupo. Shirley Manson disse no site oficial da banda que os integrantes já estavam cansados de ter que passar suas composições pelas mãos da gravadora antes de poder lançar alguma coisa. Eles queriam a liberdade criativa que tiveram ao escrever as canções do primeiro álbum e a possibilidade de fazer música sem qualquer compromisso com o mercado. Assim, em 14 de maio deste ano, nasceu Not Your Kind of People.

Foto: Autumn de Wilde para o encarte de Not Your Kind of People

O álbum começa mais dançante do que rockeiro com Automatic Systematic Habit e segue assim até Control, um pouco mais obscura. A faixa-título desacelera o álbum e curiosamente traz vocais das filhas de Steve Marker e Butch Vig.

Músicas como Felt, I Hate Love e Man on a Wire resgatam o Garbage que todo mundo já conhece: um pouco eletrônico, um pouco rock e toda a energia da banda. São canções empolgantes e que dão vontade de ouvir de novo e de novo. Outro destaque é a balada que encerra o álbum, Beloved Freak.

Para os fãs antigos, Not Your Kind of People é um prato cheio para relembrar e voltar a curtir a banda que foi um dos principais nomes do pop rock dos anos 90. Para quem conheceu o grupo no álbum de 2005, o lançamento deste ano não decepciona por seguir a mesma linha do anterior, ainda que um pouco mais autêntico e visceral, como se o Garbage nunca tivesse tirado uma folga.

Assista ao clipe do primeiro single do álbum, Blood for Poppies:

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