segunda-feira, 18 de junho de 2012

O sentimental Eddie Vedder

João de Oliveira*

Quem ouviu o álbum solo de Eddie Vedder, Into The Wild, já conhece o lado mais suave do vocalista que, em sua carreira solo, foge muito do estilo grunge da banda Pearl Jam. O disco Ukulele Songs, lançado no dia 31 de maio de 2011 pela gravadora Monkeywrench, veio como continuação desse Eddie Vedder diferente. Como o nome já diz, esse álbum foi feito com o uso apenas da combinação entre a voz do músico e o instrumento havaiano ukulele. A produção do disco foi feita por Adam Kaspel e pelo próprio Eddie Vedder. 

Fonte: entretenimento.pt.msn.com
A temática do álbum é sentimental e ligada à ideia de liberdade. Em praticamente todas as músicas Eddie Vedder faz alusão a uma relação amorosa, sendo que, na grande maioria delas, a relação é tratada com tristeza. Canções como Sleeping By Myself e Broken Heart possuem letras que se aproximam da depressão por mostrarem um eu lírico muito afetado pela negatividade dessas relações. Apesar disso, a ideia de ser livre e de deixar que os outros também sejam está muito marcada. A canção Can’t Keep, não por acaso faixa introdutória do álbum, é prova disso. Ela explicita claramente uma necessidade que Eddie possui de ser libertado desse sentimento para, assim, poder libertar também aqueles que o cercam. 

No aspecto instrumental, o ukulele dá um tom de paz e tranquilidade que, combinado às letras, gera uma atmosfera de conformismo. Mas, em momentos de mais intensidade, ele consegue também trazer certa dose de tensão. É difícil, portanto, distinguir o que é esperança e o que é lamentação nessa produção. O fato de apenas o instrumento havaiano ser utilizado nos arranjos torna muito mais árdua a missão de passar ao público as sensações que o autor busca gerar em cada momento. Podemos encontrar alguns problemas causados por essa falta de variação, como o fato de algumas músicas soarem muito semelhantes a outras, ou a sensação ruim da falta de um refrão ou de, ao menos, um clímax em certas faixas. Apesar disso, uma contemplação mais detalhada e com certa concentração torna fácil a tarefa de compreender as 'mensagens' que são passadas. Solucionado esse problema, o álbum se torna uma produção de muita qualidade e que com certeza vai mexer com aqueles que se identificarem com o momento emocional desse eu lírico.

Capa do álbum "Ukulele Songs"
Os arranjos são impressionantes, demonstram grande complexidade e uma originalidade inexplicável.  Certas passagens fazem com que fique muito claro que o ukulele tem muito mais a oferecer do que aquela batidinha característica de algumas músicas pop. A falta de trabalhos voltados ao rock que contem com o instrumento fazia com que fosse muito difícil imaginá-lo sendo usado da forma que Eddie usa. Para completar, entra aquela incrível e já conhecida voz, que agrada desde o mais estereotipado metaleiro até aquele fã de músicas suaves e técnicas. As músicas são bastante curtas (de 1:30 min a, no máximo, 3:20) e leves. Isso facilita a apreciação do álbum por uma grande variedade de fãs de música. Esse estilo mais suave garante um público mais abrangente do que o do próprio Pearl Jam. 

A crítica recebeu o disco com certa desconfiança, principalmente os veículos mais tradicionais. No entanto, a recepção do público vem sendo boa. Enquanto a revista Rolling Stone, uma das mais conservadoras e importantes no meio musical, fez uma análise quase negativa (com uma nota de duas estrelas e meia em cinco), grandes sites que permitem a avaliação pública, como o Metacritic, apresentam uma boa aceitação, apontando para uma variação de 75% a 85% de fãs satisfeitos com o trabalho. 

Ukulele Songs é um bom álbum para quem está estressado e procurando relaxar, se encaixa também para aqueles mais sentimentais e sofredores e, acima de tudo, para quem quer simplesmente apreciar uma boa música. Como produção musical, é mais uma grande obra de Eddie Vedder, além de contar com a inovadora exploração do ukulele. Os fãs de música e os interessados em conhecer novas possibilidades artísticas encontrarão um prato cheio.


*João de Oliveira é estudante de jornalismo e colaborou com este post para o Play This Beat.

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