terça-feira, 5 de junho de 2012

Música e Jornalismo

Carolina Rodrigues

O 4º Congresso Cult de Jornalismo Cultural, que aconteceu em São Paulo na semana passada, terminou em grande estilo. O último dia do evento tratou sobre, adivinhem só... música! 

Pensando no blog, conversei com diversos ícones do cenário musical e jornalístico, os quais serviram de base para o que vou expor nesse post. 

“A música é a garantia que temos de um mundo desalienado”. Foi assim que João Marcos Coelho, crítico musical do Estado de S. Paulo, começou sua palestra. A frase é do filósofo marxista alemão Ernst Bloch e vai um pouco contra sobre o que disse Adorno em seu conceito de Indústria Cultural. “Segundo Adorno, as pessoas recebem a mesma repetitiva mensagem artística, como lavagem cerebral. Ele escreveu isso em um momento limite, no final da Segunda Guerra Mundial. Ele esperava o fim do mundo”. Coelho diz concordar mais com Bloch.

Mas se é para falarmos em fim do mundo, e por estarmos em 2012, essa problemática abre espaço para uma reflexão. Qual o papel da música na vida das pessoas? E mais: já que é para falarmos sobre um congresso jornalístico, como a mídia realiza a cobertura musical atualmente? Como lavagem cerebral? Ou como uma forma de desalienar? 

Segundo Paulo Lins, escritor, “é na música que o ser humano lava o espírito”. E por que não seria? De fato, vivemos cantando. No banho, no carro, no trabalho e até quando sonhamos. 

José Geraldo Couto, jornalista e crítico de cinema e literatura, diz que "existe uma pressão enorme do mercado nos jornalistas. É difícil escapar do gosto hegemônico. É difícil não falar de Michel Teló”. Segundo Couto, é mais complicado para a imprensa fazer uma cobertura musical atualmente devido ao grande número de gravadoras e ao advento de novas tecnologias, como a internet, que nos permite baixar CDs completos em poucos minutos. “É impossível para um jornalista acompanhar tudo o que acontece e é muito difícil definir o que é mais relevante”.

Armando Antenore, redator-chefe da revista BRAVO!, segue a mesma linha de pensamento. “Quando eu comecei, bastava ficar de olho nas grandes gravadoras para saber o que estava acontecendo no mundo da música. Tínhamos a impressão de que estávamos por dentro de tudo. Hoje, seguir a Indústria não significa nada, principalmente por causa da internet”. Antenore diz ser muito difícil acompanhar a área musical com segurança. A BRAVO! possui um recorte mais elitista e artistas excessivamente populares não são o foco. “A BRAVO! foca em um público específico e faz suas escolhas dentro daquilo que considera mais representativo do nosso tempo e que agrade o público-alvo”. 

João Marcos Coelho, já citado, afirma que existem poucos críticos de música clássica. Ele diz que o jornalismo cultural de hoje é pautado pela agenda e que o critério de seleção daquilo que vai ser divulgado é determinado pelo volume de pessoas que a música alcança. Na maioria dos casos, os editores dos veículos em geral não possuem conhecimento algum sobre música clássica. “Eu me considero um privilegiado por ter esse espaço no Estado de S. Paulo. Não vejo isso em nenhum outro grande veículo”.

Marcos Flamínio, diretor de redação da revista CULT, analisa os dois principais jornais de São Paulo. Segundo ele, a Folha de São Paulo tem uma tendência de fazer cobertura de música contemporânea, música pop, enquanto o Estado de S. Paulo tende a cobrir gêneros mais duros, como a música erudita e o jazz, que exigem uma educação musical. Por fim, Flamínio conta sobre a CULT. "É uma revista mais setorizada, a qual possui um público específico bastante interessado em cultura e, portanto, em música. Procuramos sempre estar à margem do que realmente interessa a esse público.

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