segunda-feira, 18 de junho de 2012

Introspectivo Frusciante

Ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers prepara dois novos álbuns para o semestre que vem

Lucas César Ramos*

Frusciante em show do Red Hot Chili Peppers no Pacaembú, em 2002
(Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress) 

Quando lançou seu primeiro álbum, ele preferiu juntar de uma vez o que seriam dois discos. Estava prevendo que morreria logo por causa das drogas, sem ter tempo para lançar o segundo. Assim saiu Niandra Lades and Usually Just a T-shirt, o primeiro de John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers – e o maior que já passou pela banda.

Mas Frusciante não morreu e sua carreira solo continua. O guitarrista dos melhores álbuns do Red Hot – Blood Sugar Sex Magic, Californication, By The Way e Stadium Arcadium –, anunciou em seu site oficial, no dia 29 de maio, o lançamento de dois novos álbuns: Letur Lefr chega às lojas em julho e PBX Funicular Intaglio Zone estará disponível em setembro. “Classifico meu som como ‘progressive synth pop’, o que não diz nada sobre como ele é, mas pelo menos descreve sua abordagem básica”, ele fala sobre suas novas canções no release oficial.

Início conturbado
Os dois primeiros álbuns de Frusciante foram gravados logo após sua primeira saída dos Chili Peppers, em 1992, período em que estava totalmente imerso no vício em heroína. Niandra Lades (1994) e Smile From The Streets You Hold (1997) foram realizados sem nenhum profissionalismo. À época, John viva sozinho em uma mansão em Hollywood. Nesse período surgiram boatos de que ele estava morrendo, estava sem dentes ou seu corpo tinha apenas 20% do sangue necessário.

As faixas Mascara, do Niandra Lades, e Enter a Uh, do Smile From The Streets You Hold, são exemplos do tipo de música que Frusciante estava compondo enquanto o Red Hot não era mais o mesmo sem sua guitarra, substituída pela de Dave Navarro. O jovem guitarrista – John entrou no Red Hot com 19 anos – que levantava estádios e grandes platéias ao som de Under The Bridge e Give It Away compunha agora músicas muitas vezes incompreensíveis:

Reabilitação e explosão
Esse retiro de quase 10 anos culminou em um retorno extraordinário. John Frusciante foi internado em 1997 e em 1998 era um ex-viciado reabilitado. O guitarrista reata com seus antigos amigos do Red Hot e volta a tocar com a banda, que já não era mais a mesma desde sua saída. Pareceu que todos estavam guardando energia para o lançamento de Californication (1999), o disco de maior sucesso da banda. É claro que vocês se lembram de sucessos como Otherside, Scar Tissue e a homônima Californication. O clipe dessa última, em que o quarteto Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e Frusciante são personagens de um jogo de videogame, é um clássico do começo dos anos 2000:


Durante a década de 2000, John experimentou o auge de sua carreira, o sucesso explosivo de sua banda e o concomitante desenvolvimento de projetos solo, agora gravados com maturidade e profissionalismo. Entretanto, as temáticas existenciais permanecem e são uma constante em todo os seus projetos individuais.

Os álbuns solo de John dessa década são: To Record Only Water for Ten Days (2001), Shadows Collide with People, The Will to Death, A Sphere in the Heart of Silence (parceria com Josh Klinghoffer, atual guitarrista dos Chili Peppers), e Inside of Emptiness (2004).

O último, The Empyrean (2009), é o primeiro gravado após a nova saída de John da banda californiana e é retrato da evolução de sua música ao longo de sua carreira. Preservando sua característica principal, a introspecção, o álbum inclui arranjos ricos e complexos, a exemplo de Unreachable e Central, muito diferentes de suas canções de início de carreira. Essas duas estão nesta playlist que preparei, com algumas das melhores músicas da carreira solo de John Frusciante. Ouçam e esperem por esses dois novos – e de estranhos nomes – álbuns desse grande artista:


*Lucas César Ramos é estudante de jornalismo e colaborou com este post para o Play This Beat.

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