segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cultura popular no combate à Aids

Amanda Lima

Unir responsabilidade social e cultura é uma alternativa há muito buscada por artistas, produtores e instituições para dar voz a causas sociais. A Red Hot Organization (RHO) é exemplo claro de como essa saída pode ser rentável para propósitos específicos. A organização, sem fins lucrativos, já recebeu contribuições de mais de 400 artistas, produtores e diretores para projetos cujas arrecadações destinam-se a instituições de caridade a portadores do vírus HIV.

Fundada em 1989, a RHO surgiu como uma resposta à devastação causada pela Aids a artistas e intelectuais novaiorquinos. John Carlin, criador da instituição junto a Leigh Blake, idealizou a primeira de muitas coletâneas que seriam produzidas a fim de angariar fundos para o combate à Aids: um álbum que compilasse versões de artistas pop para canções de Cole Porter. Em 1990, o disco foi lançado sob o nome de Red Hot + Blue e reuniu estrelas como David Byrne, U2, Annie Lennox e Tom Waits.

Foi o início da série de coletâneas Red Hot. Só de estreia, um milhão de cópias foram vendidas ao redor do mundo. Assista ao vídeo de Don’t Fence Me In, interpretada por David Byrne:


Não foi preciso muito tempo para que o projeto ganhasse força. As edições posteriores homenagearam a cena indie dos anos 90, a Geração Beat e a multiculturalidade da América, além dos artistas Duke Ellington, George Gershwin e Fela Kuti, para citar alguns exemplos.

Em 2010, a arrecadação do disco Dark Was The Night (2009) superou a marca de U$ 1 milhão. Nele, aparecem apenas gravações de músicos independentes como Feist, Beirut, Bon Iver e Yo La Tengo.

Red Hot + Rio

Red Hot + Rio (1996)
Red Hot + Rio 2 (2011)












Um tributo à música brasileira não poderia ficar à parte de uma iniciativa como a da RHO. E a ideia deu tão certo que existem duas edições de Red Hot + Rio. A primeira delas, produzida por Paul Heck, homenageou a Bossa Nova e teve como colaboradores brasileiros Gilberto Gil, Caetano Veloso e Astrud Gilberto. A versão original de Preciso Dizer Que Te Amo, interpretada por Cazuza e Bebel, é uma das faixas que compõem o disco.

Milton Nascimento, Money Mark, Crystal Waters e Marisa Monte são alguns outros artistas que participam do álbum. E, para oficializar a menção à Bossa Nova, nada mais justo que uma canção de Tom Jobim, um dos precursores do gênero. Ouça a versão da banda britânica Everything but the Girl para Corcovado:

Corcovado by Everything but the Girl on Grooveshark

Red Hot + Rio 2, lançado quinze anos depois da primeira edição, foi produzido pelo brasileiro Béco Dranoff e, mais uma vez, reuniu músicos brasileiros e internacionais para evidenciar a música brasileira. O movimento escolhido foi a Tropicália, responsável por transformar os critérios de gosto musical vigentes até a década de 1960 e por modernizar música e cultura nacionais.

Vale citar alguns dos grandes nomes que contribuíram para a realização do álbum: Caetano Veloso, Seu Jorge, Mayra Andrade e John Legend. Para tirar a prova, ouça Nu Com a Minha Música, de Caetano Veloso, interpretada por Marisa Monte, Devendra Banhart e Rodrigo Amarante.

Nú Com A Minha Música by Marisa Monte + Devendra Banhar on Grooveshark

Para finalizar, conheça a versão de José González e Mia Doi Todd para Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, de Lô Borges e Márcio Borges, em vídeo gravado durante um evento realizado pela RHO em junho do ano passado.



Acesse o site da Red Hot Organization para saber mais sobre as coletâneas.

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