terça-feira, 8 de maio de 2012

Zeca Baleiro lança "O Disco do Ano"



Carolina Ito

Não. “O Disco do Ano” não é uma categoria do Grammy e nem uma aposta de sucesso instantâneo declarada por jornais e revistas. “O Disco do Ano” é o novo disco de Zeca Baleiro (lançado mês passado) que, com o perdão da comparação simplista, entra no espírito daquela música A Melhor Banda dos Últimos Tempos da Última Semana (ufa!) dos Titãs.

Digo isso não porque o disco tem potencial para entrar no ranking dos “dez maiores fracassos” da música, como sugere a letra impregnada de rebeldia dos roqueiros do Titãs. Mas a comparação parece plausível quando sentimos aquela ironia cortante que invade letra e melodia e nos arranca um sorrisinho malandro no canto dos lábios. “Esses caras são sacanas”, é a constatação silenciosa de quem ouve.

A música Mamãe no Face de Zeca Baleiro é a última do disco e também o desfecho trágico, o golpe fatal da ironia que aparece de maneira mais contida nas outras faixas. Imagine uma mãe entrando no seu Facebook e vendo orgulhosa os comentários sobre o magnífico disco de seu filho em todos os sites de crítica musical e jornais famosos. Folha, Veja, Piauí, Rolling Stone, todos festejam a obra do filho prodígio (ou pródigo?) na história narrada musicalmente por Baleiro. Claro que isso se torna ainda mais ácido quando penso que escrevo para um blog de música e que sou aspirante à jornaleira, ops, jornalista. Mas deixa prá lá.

A rede social do nerd milionário, Mark Zuckerberg, também aparece na letra de Meu amigo Enock que tem a participação de Andreia Dias. O refrão é bem fácil de cantar e pode ser acompanhado de uma dancinha alegre e saltitante para completar o teor sarcástico da música e das nossas relações superficiais mantidas na rede: “Vou excluir você do meu Facebook/ Da minha vida também/ Eu já cansei do seu truque”. Destaque para a frase da minha vida também, imprescindível para provocar o efeito “sorrisinho maroto” descrito ali em cima.

Último Post, com a participação de Margareth Menezes, é a música que faltava para completar as referências ao mundo online, mas em um jogo completamente inverso citando atitudes um tanto “analógicas” de alguém apaixonado, como mandar cartas e jogar pedras na vidraça da pessoa amada para ter sua atenção (ao invés de “cutucá-la” no Face, não é mesmo?).

Algumas faixas de “O Disco do Ano” me lembram outros álbuns da carreira de Zeca Baleiro. Como não lembrar do rap Mundo Cão, pertencente ao disco “Pet Shop Mundo Cão” (2002), ao ouvir a música O desejo, gravada com a participação de Chorão do Charlie Brown Jr.? Sem falar em Piercing, outro rap marcante do disco “Vô Imbolá” (1999).

Canções como Felicidade pode ser qualquer coisa, Zás, Nu e Nada Além, fazem o estilo do disco “Líricas”, de 2000. Assim como na fase lírica do cantor, as músicas têm uma levada mais acústica e melancólica.

Ao todo, o álbum possui 12 faixas, sendo que 7 são composições de Zeca e as outras 5 são fruto de parcerias com Hyldon, Frejat, Wado, Kana (uma cantora japonesa que toca música brasileira e jazz) e Lúcia Santos.

O disco anterior de Zeca Baleiro foi "O Coração do Homem Bomba", lançado em 2008. Depois de tanta espera, podemos curtir uma fase mais madura do cantor, além de dar boas risadas internas com suas paródias do cotidiano. E, quem sabe, não veremos o disco sendo aplaudido pela crítica mundo a fora? É o que a mamãe do Face espera.


- Você pode ouvir o cd na íntegra no portal Sonora e acompanhar a turnê do disco no site oficial de Zeca Baleiro.




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