sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os vários lados de Wagner Moura

Vanessa Souza

Ele pode ser o jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia, o ator de Hamlet, Tropa de Elite e Paraíso Tropical (seus papéis mais marcantes no teatro, cinema e televisão, respectivamente) ou o músico baiano correndo na direção contrária da onda de axé e pagode do início dos anos 1990. Esse pode não ser o lado mais conhecido de Wagner Moura, mas também é muito interessante.

Em 1992, Wagner montou uma banda cover de The Cure com alguns colegas de faculdade. O projeto evoluiu e o grupo começou a fazer releituras de músicas ‘bregas’ (de artistas como Reginaldo Rossi e Odair José) unindo a elas a melancolia do rock inglês. Estava formada a banda Sua Mãe, com Gabriel Carvalho (guitarra solo e vocais), Ede Marcus (guitarra base e vocais), Claudinho David (violões e vocais), Tangre Paranhos (teclados e vocais), Serjão Brito (baixo) e Leco (bateria), além de, é claro, Wagner Moura como vocalista.

Quinze anos depois, a banda decidiu gravar uma demo com suas melhores músicas. Em 2010, essas gravações acabaram se tornando o primeiro álbum da banda, The Very Best of the Greatest Hits, lançado em programas de TV e divulgado através de shows.

Foto: fanzinebritadeira.blogspot.com.br

O álbum abre com a música escolhida para ser single, chamada Vanessa e o Véu. Logo em seguida vem a ótima Relação Injusta, em que Wagner recita um trecho do livro Água Viva, de Clarice Lispector, enriquecendo a letra. Aí se revela a vantagem de ele também ser ator: a profundidade da interpretação dele é muito melhor que a dos cantores comuns. Essa música reforça o lado rock da banda, junto de Clóvis, que tem um solo de guitarra envolvente, e O Anel de Luzia, que quer ser brega, mas a guitarra forte a puxa de volta para o lado inglês da força.

Algumas músicas, no entanto, reforçam as outras influências da banda. A que se destaca na primeira metade do álbum é Prefixo Solidão, que emenda um trecho da marchinha de carnaval Ta Hí. Bar de Bira, com pouco mais de um minuto e meio de duração, parece ser um interlúdio para a metade mais brega do disco. Nela, há até um cover de Reginaldo Rossi, a canção Na Hora do Adeus. Já no fim do álbum, a faixa À Meia Luz atinge um meio termo entre a melancolia inglesa e a brasileira, sendo um dos destaques do disco.

No geral, as letras têm a temática do amor não correspondido, o baixo tem presença forte em todas as músicas e os metais aparecem em quase todas as faixas. Wagner Moura não decepciona como cantor.

Como o maior compromisso profissional dos integrantes não é com a banda, não se sabe se haverá um próximo álbum ou quando o grupo vai se reunir de novo para apresentações ao vivo.


Volta ao microfone

A nova chance que os fãs têm de ver Wagner no palco é no tributo à Legião Urbana que a MTV está organizando. Nos dias 29 e 30 de maio, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá se juntarão ao ator para homenagear um dos maiores nomes do rock brasileiro.

Da esq. para a dir., Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Wagner Moura ensaiam para tributo
Dado, Marcelo e Wagner no ensaio para o MTV ao Vivo
(Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
Os integrantes originais da banda deixaram claro que esse projeto não vai se estender a outras datas e locais, já que Renato Russo é insubstituível. Wagner, por sua vez, diz que se sente como “um fã que foi pinçado no meio da platéia e convidado a estar ali no palco junto com meus grandes ídolos”. A apresentação será composta de um pouco de cada disco da Legião, incluindo até mesmo canções do álbum Uma Outra Estação, lançado depois da morte do vocalista original e nunca apresentado ao vivo.

O MTV ao Vivo vai acontecer no Espaço das Américas, em São Paulo. Mesmo com ingressos não muito baratos (R$200,00 para quem paga inteira), a procura é grande, já que é um show que não vai passar por mais nenhuma cidade do Brasil.

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