domingo, 13 de maio de 2012

Os Lee

Gabriela Passy

Era 1977 e era São Paulo também. Trinta anos, cabelos compridos, franjinha, Roberto de Carvalho como companheiro e uma carreira musical já formada. Ela tinha personalidade irreverente - tão irreverente que a minha avó não permitiu seu pôster no quarto das filhas - e, quem diria, o primeiro filho na barriga. O nome dela é Rita Lee Jones. 

Rita já não era mais nenhuma menininha. O Brasil todo já conhecia seus cabelos, seus olhos marcantes parecendo pesar pelas camadas de rímel. Conhecia mais ainda a sua voz, suas letras, melodias, seu estilo e atitude. A essas alturas ela já tinha abandonado os Mutantes e participava da sua segunda banda, a Tutti Frutti. 

Foto: Maurício Valladares
No dia 21 de março o primogênito nasceu e foi chamado Roberto. Era de se esperar que esse menino, filho de dois músicos da melhor categoria, tivesse algum futuro no ramo musical. E, sabe, ele não decepcionou. Aos dez anos Roberto - o Beto Lee - começou a tocar guitarra; aos doze, formou a sua primeira banda com os colegas da escola. Larika, a banda, era uma "brincadeira de criança", como Beto costumava descrever. Brincadeira ou não, foi o pontapé inicial de toda uma carreira.

Em 1995, Beto já acompanhava os pais em turnês, sempre tocando guitarra. O primeiro álbum solo, no qual Beto interpreta músicas em guitarra e vocal, veio em 2002, intitulado Todo Mundo é Igual, apresentando parcerias com Gabriel O Pensador, Carlos Rennó e Itamar Assumpção, além, é claro, de composições próprias. Em 2005, criou o trio Galaxy com o baterista Edu Salvitti e o baixista Gonzáles, lançando um disco homônimo. 

O Lee filho não explorou só o campo musical. Em 2007, Beto se iniciou na televisão apresentando a série Que Rock É Esse?, que contava a história do pop rock brasileiro, pelo canal Multishow. Devido ao sucesso obtido, a série voltou ao ar em 2008, falando dessa vez sobre rock internacional. Apresentou ainda Combo Fala+Joga pelo canal Play TV e Geléia do Rock, novamente pelo Multishow. No ano de 2010, volta ao cenário musical e lança, em 2011, seu álbum mais recente, chamado Celebração & Sacrifício

Foto: recordmaior.blogspot.com

É claro que mãe e filhos tão próximos profissionalmente não poderiam deixar de compor em parceria. Vira-lata de raça, gravada por Ney Matogrosso, e Rebeldade são duas músicas nascidas dessa união, que não tinha outro caminho a não ser dar certo - ou talvez até tivesse, você sabe como são pais e filhos quando resolvem se desarranjar.
  
E é claro que Rita Lee, mãe que é, não poderia ter deixado de compor e gravar uma música para o seu primeiro filho. Inspirada nas perguntas que o filho lhe fazia, Filho meu não é daquelas melosas; também não é muito parecida com aquela (Oito anos) que a Paula Toller compôs para o filho dela (eu sei que você lembrou dessa).


Nota: Desculpem-me João e Antônio Lee, os segundo e terceiro filhos da Rita, nascidos em 1979 e 1981, respectivamente, pela ausência de seus nomes até agora. Afinal, a mãe é de vocês também.

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