segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fera, bicho, anjo e mulher

Mayara Abreu Mendes

Arquivo pessoal
Em 10 de dezembro de 1962, na cidade do Rio de Janeiro, nascia Cássia Rejane Eller. Com pai do Exército e mãe dona-de-casa, só foi conhecer a música a fundo com 14 anos, quando ganhou seu primeiro violão. Seus primeiros acordes tocados vieram dos Beatles e suas primeiras apresentações musicais, aos 18 anos, foram em um coral de Brasília, em uma orquestra e, por mais incrível que possa parecer, em uma banda de forró.

Cássia sonhava em ser cantora de ópera, mas sempre foi muito displicente para seguir os estudos formais e rígidos necessários para tal. Nem mesmo o Ensino Médio foi concluído, pois trabalhou muito desde sempre. Foi garçonete em bares e restaurantes (em alguns,  ela até cantava), servente de pedreiro e até na secretaria do Ministério da Agricultura ela foi parar. Foi com a demissão no último emprego que resolveu que teria de ser mesmo cantora.

O pontapé no mundo artístico para Cássia veio numa peça de Oswaldo Montenegro, no ano de 1981. Porém, apenas em 1989 uma gravadora a contratou. Sempre cantando músicas de artistas famosos nos mais diferentes estilos – de Nando Reis a Jimi Hendrix -, foi com a entrega de uma demo contendo apenas a música “Por Enquanto”, de Renato Russo, que Cássia foi contratada pela gravadora PolyGram.

Divulgação
Dali para frente foram cerca de dez discos gravados, em estúdio e ao vivo. Doze anos de carreira, uma apresentação no Rock In Rio e infinitas participações especiais em gravações de disco de amigos. Nunca teve desejo de ser compositora, tendo escrito apenas três músicas (“Lullaby”, “Eles” e “O Marginal”). Sempre preferiu cantar o que outros escreviam, tendo parcerias especiais com Nando Reis, por exemplo.

Tudo ia muito bem, a carreira estava sendo de muito sucesso, mas em 2001 uma fatalidade aconteceu: Cássia, com 39 anos, sofreu um infarto do miocárdio no dia 29 de dezembro. 2001 foi ano de apresentação no Rock In Rio e ano de 95 outras apresentações de shows. Cássia gravou, também, um DVD ao vivo, o Acústico MTV. Ela faria uma apresentação num desses eventos de virada de ano no Rio de Janeiro, mas faleceu dois dias antes. O bonito foi que os fãs, os artistas que se apresentavam e todo o resto do público fizeram homenagens à cantora a todo momento.

Tudo bem. Falei bastante sobre a vida da cantora e aí você, leitor, deve estar se perguntando o motivo de eu tê-la escolhido para o especial. Acontece que em meio a uma carreira de muito sucesso e que tinha tudo para ir bem longe, Cássia tinha um filho para criar. Francisco Eller foi filho de mãe solteira, uma vez que seu pai morreu em um acidente de carro pouco antes de ele nascer.

Chicão e Cássia. Divulgação
Cássia assumiu-se homossexual pouco tempo depois de tudo isso acontecer e sua parceira, Maria Eugênia, não a abandonou em momento algum na criação do menino. Mesmo depois da morte da cantora, Maria Eugênia continuou criando o menino, como sendo a segunda mãe.

Escolhi especialmente Cássia Eller pelo fato de ser apaixonada pela música “1° de Julho”, escrita por Renato Russo enquanto ela estava grávida. A letra diz coisas como "Quero aprender com o teu pequeno grande coração. Meu amor, meu Chicão..." e fala sobre a relação de uma mãe com um filho, como Cássia tinha com o seu então pequeno Chicão.

Um comentário:

  1. lindooooo... o amor dela pelo filho demais...

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