terça-feira, 6 de março de 2012

Uma banda very porreta

 Carolina Rodrigues

Eles passaram pela fase de Utopia e chegaram ao sucesso relâmpago de Mamonas Assassinas. As letras das músicas são tão loucas, eu diria, quanto o próprio nome do grupo. Uma mistura de rock, pop, forró, sertanejo e heavy metal, que desafiou as regras de uma sociedade politicamente correta, a qual não aceitaria bem uma capa de CD dessas (a que está ao lado) e muito menos letras repletas de palavrões e sérios erros de gramática. 

Porém, incrivelmente, a sociedade aceitou. O CD rendeu mais de 3 milhões de cópias. Eram crianças, adolescentes e adultos escutando as músicas e assistindo aos vídeos de shows e apresentações da banda. Os cinco integrantes de Guarulhos sempre com fantasias engraçadas e performances de tirar o fôlego. A banda se tornou, de fato, um meio de refúgio para os adultos ocupados e um palco de brincadeiras para as crianças, já que as letras eram aceleradas, as vozes engraçadas, os temas bizarros. Tudo isso com uma pitada de crítica, que se passa quase que despercebida, como na música 1406, que fala de consumismo: “mas a pior de todas é minha mulher, tudo o que ela olha a desgraçada quer: televisão, microondas, microsystem, microscópio, limpa-vidro, limpa-chifre, facas ginsu”. Lembram? 



Mas afinal, o que levou as pessoas a gostarem tanto de uma banda assim, tão... engraçada? Após anos e anos de músicas de protesto e de cantores exilados, o Brasil viu-se livre para respirar a diversidade cultural e, nesse cenário, o humor foi inserido no palco musical do país com nada mais, nada menos que Mamonas Assassinas. 

Uma puta história 

O ano era 1989. Três amigos - Bento Hinoto, Sérgio Reoli e Samuel Reoli - resolveram montar uma banda: a Utopia. Aquela noite era para ser como qualquer outra, até que um louco da platéia pediu para subir ao palco e cantar uma música, Sweet Child of Mine, dos Guns N’ Roses. Esse louco era o Dinho, que se tornou o quarto integrante da banda e levou o quinto: Júlio Rasec. Assim começou a utopia de cinco garotos que tinham um grande sonho: tornarem-se grandes músicos. 

"As pessoas olhavam pra mim e diziam: 'é impossível cara, 
é impossível você chegar até aqui'.
Mandei eles pra puta que pariu. É possivel sim!"
 frase do Dinho, vocalista, desabafando em um show
O começo foi, eu diria, bem chato. Eles cantavam covers em um barzinho aqui, em outra festinha ali, e nunca se contentavam com tão pouco. Começaram a perceber então a sintonia que existia entre eles. Sintonia essa que se resume em uma única palavra: humor. A partir de então, os guarulhenses começaram a produzir aquilo que nunca ninguém tinha feito e o sonho transformou-se em realidade. Surgiu, assim, os Mamonas Assassinas, em 1995. 

Pelados em Santos, Robocop Gay, Jumento Celestino, Vira Vira, Mundo Animal, Chopis Centis são algumas das músicas da banda que realmente fizeram sucesso por serem extremamente diferentes de tudo aquilo que o país já tinha visto. O brasileiro estava acostumado com as rimas da MPB, a complexidade da Bossa Nova, o apego do Samba, mas no fundo queria mesmo era dar umas boas risadas. E foi isso o que Mamonas proporcionou durante pouco mais que sete meses de carreira: risos, risadas, porque não gargalhadas?

Digo pouco mais que sete meses pois foi realmente essa a duração da banda. No dia 02/03/1996, um avião que carregava todos os integrantes da banda caiu, acabando com qualquer utopia, sonho ou realidade.  Todos os integrantes morreram e, assim, chegou ao fim um grupo que tinha tudo para fazer muito mais sucesso. Desde então, nenhuma outra banda conseguiu arrancar tantos sorrisos. E é por isso que meu post de hoje é uma homenagem a eles, os loucos de fantasia e vozes engraçadas que encantaram minha infância.

Mamonas para sempre 

Para os ainda fãs mamônicos, fica aqui uma ótima indicação: o documentário Mamonas Pra Sempre fala bastante sobre a trajetória da banda, das características de cada um dos integrantes, do estilo das músicas, e etc. Confiram o trailer:


O site também ajuda a matar um pouquinho da saudade desses loucos, que enfrentaram todo e qualquer preconceito e quebraram as barreiras da caretice musical. Não deixem de acessar.

3 comentários:

  1. Demaaaaais... inesqueciveis e imortais... meu irmãozin os curte tb!

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  2. Muito bom!!!!!!!!!

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