sábado, 31 de março de 2012

Sobre um triângulo (não necessariamente) amoroso

Julia Germano Travieso


O amor. Esse é o tema preferido dos inúmeros filmes, séries, curta-metragens, músicas e pinturas que encontramos mundo a fora. Cada artista encontra seu próprio meio de expressar suas opiniões a respeito do assunto. Alguns são bastante originais, outros nem tanto, mas o que todo mundo quer mesmo é entender como ele funciona. 

“I'm at my computer... and l panic. I get all worked up. I go, if somebody died every time I hit Refresh, there'd be nobody left alive, fuck.” 

O diretor canadense Xavier Dolan conseguiu no longa-metragem Les Amours Imaginaires (2010) condensar todas as contradições e complexidades do amor em um estudante culto, bem humorado e misterioso chamado Nicholas (Niels Schneider), que atrai as atenções de Marie (Monia Chokri) e Francis (interpretado pelo próprio diretor) sem nenhum esforço. 

Os personagens


Marie é uma mulher heterossexual bem vestida, no melhor estilo vintage dos anos 50, que parece estar sempre chupando uma casca de limão incrivelmente amarga. Francis é um homem, homossexual, entendedor de moda, dono de um espírito sensível e frágil. Nicholas, Nico para os íntimos, tem uma orientação sexual ambígua e – até onde eles sabem– lança olhares sedutores aos dois. 

“You can't be 50-50. Straight is straight, gay is gay. And don't bring up your "mood" crap.” 

A amizade entre Francis e Marie fica cada vez mais tensa conforme a narrativa se desenvolve. Eles atravessam as barreiras da razão para sabotar um ao outro e conseguir Nico para si. 

Assisti-los fazendo palhaços de si mesmos é desesperador, pois nos identificamos com eles e temos medo, muito medo de ser assim. E é exatamente essa a intenção do diretor: mostrar até onde um ser humano está disposto a ir por um amor que pode ou não ser correspondido. 

“The day he moved in, it was over. It was over! No, I mean, it wasn't over, over. I mean, we still lived together and had sex and all, but...” 

Na imaginação de Marie, Nico está evidentemente apaixonado por ela. Na imaginação de Francis, Nico está obviamente apaixonado por ele. E Nico pode estar encantado com um deles, ou os dois, ou talvez nenhum. 

A trilha sonora 


A trilha sonora, assim como as ruas de Montreal, é essencial na construção do cenário da história desse triângulo (não necessariamente) amoroso. Há uma dominância quase completa do cover da italiana Dalila para o hit Bang Bang, uma paixão francesa que tem várias versões e é usada incessantemente. Ela é o tema de várias cenas e apresenta-se como uma tradução musical para os clichês tratados no filme. 

“Traffic was bad. Yeah. So I excuse him. I say, of course, only normal that he's late. Cause... Cause I'm weak and someone you put on a pedestal is always right.” 

No total a trilha foi muito bem trabalhada, pois se encaixa perfeitamente com as cenas e traduz os sentimentos que Dolan quer tratar. A urgência e o desejo podem ser facilmente percebidos em Pass This On, do The Knife e em Keep The Streets Empty For Me, da Fever Ray. Já a dor e a tristeza de um amor não correspondido estão claras nas peças de Bach e Wagner. 


Ouça a trilha sonora, veja o filme e apaixone-se. 

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