domingo, 11 de março de 2012

Le fabuleux destin

Gabriela Passy

A ideia não era me apresentar primeiro, mas não consegui fugir disso. Esse é o meu primeiro post como colunista do Play This Beat. E esse post é o primeiro especial desse mês, que será sobre trilhas sonoras. Espero que seja uma boa estreia para nós dois.

Falar de cinema é sempre complicado. Sempre vai ter algum maldito cult, cinéfilo ou um chato de origem qualquer para achar algum defeito, dizer que o texto ou a opinião de quem escreve são um lixo. Então já é bom deixar claro desde o começo que não passo nem perto de ser uma crítica de cinema e não tenho - nem me sinto na obrigação de ter - profundos conhecimentos na área. Eu só tenho 18 anos, porra, eu ainda gosto de escrever sobre o que me agrada. Mesmo porque ninguém tem moral alguma para decidir o que é bom e o que é ruim. Quando eu me tornar velha o suficiente para ser considerada insuportavelmente chata, talvez eu queria exaltar meus supostos conhecimentos e começar a meter o pau em filmes, músicas, fotografias e o que quer que seja. Talvez eu comece a gostar de escrever sobre o que me desagrada. Eu simplesmente ainda não tem saco para isso.

Voltando ao tema, trilhas sonoras. "Caramba, que tema legal", eu pensei. Um bom jeito de se começar. A decisão é que foi difícil. Pensei no John Williams, com a trilha de Harry Potter (podem julgar). Pensei nos filmes fofos do Chaplin e na Dança Húngara nº 5, naquela cena super de O Grande Ditador. Pensei em Stop crying your heart out, do Oasis, que toca na trilha do Efeito Borboleta. A Primeira noite de um homem, com a trilha de Simon & Garfunkel. Pensei em muita coisa, muita mesmo. Mas foi aí que eu lembrei. Lembrei porque aquela música tocou enquanto eu lavava as louças.

La Valse des monstres by Yann Tiersen on Grooveshark

E depois me vieram as audições de piano, nas quais eu já havia ouvido milhares de vezes peças como Comptine d'un autre été, La valse d'Amélie e Le Moulin, além da própria Valse des Monstres.


Foto: Divulgação

Uma trilha sonora espetacular de um filme que eu adoro. Como eu pude esquecer? Engraçado como certas coisas óbvias fogem da gente. Era isso. O fabuloso destino de Amélie Poulain, de 2001.

Foto: Divulgação
Amélie (encarnada pela maravilhosa Audrey Tatou) cresceu escondida do mundo, o que não quer dizer que deixou de observar tudo o que acontecia no seu reduzido espaço social. Gostava das coisas simples. De mergulhar a mão em sacas de grãos e jogar pedrinhas na água (adoro essas partes). E foi assim, de maneira simples, que o seu destino acabou mudando completamente. Ao deixar a tampa de seu perfume cair, acaba descobrindo, escondida no rodapé de seu banheiro, uma caixa repleta de lembranças de infância de algum menino, o qual ela decide procurar. Ao encontrá-lo e perceber o quão feliz o fez, descobre o que acredita ser a sua verdadeira vocação: cultivar a felicidade alheia.

O enredo, somado à belíssima fotografia e à direção (palmas merecidas ao direitor, Jean-Pierre Jeunet) já têm graça suficiente para prender quem assiste, mas existe um outro elemento que é um diferencial dessa obra. Falo, é claro, da trilha sonora, criada inteiramente por Yann Tiersen, compositor francês nascido em 1970. Tiersen dá destaque principalmente a instrumentos como o piano e o acordeão, compondo uma trilha tão original quanto o roteiro do filme. Faixas que são imediatamente associadas à uma cena ou àquele sorriso característico de Amélie. Pelo menos comigo acontece assim.

Vou deixar vocês com uma apresentação do próprio Yann Tiersen, em Vancouver. Nos shows ele costuma fazer umas variações bem legais das músicas, fica bem diferente do original.

Nenhum comentário:

Postar um comentário