sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Alguém que eu costumava conhecer

Julia Germano Travieso

Você era certa para mim. Eu estava feliz. Você estava feliz. Ficaríamos juntos para sempre. Quando foi que isso mudou? O que foi que aconteceu? Estar junto já não me fazia bem. Comecei a ficar solitário em sua companhia. A cada dia que passava era mais difícil falar com você, olhar nos seus olhos e dizer as palavras às quais tínhamos nos acostumado tanto, mas deixaram de ser verdade há muito tempo atrás. 'Eu te amo' tornou-se um mantra, uma ladainha repetida à exaustão sem significar nada. 

Não fazíamos mais sentido juntos, ambos sabíamos. Nada disso estava me fazendo bem. Eu precisava me encontrar novamente, você também. Não estávamos mais nos ajudando. Era o fim. “Ainda podemos ser amigos” você mesma disse. Mas admito que estava tranquilo. 

Cruzamos caminhos outro dia na praça. Você não me viu. Depois outra vez na rua. Você passou reto. Encontrei camisetas suas em meio às minhas roupas lavadas. Você não atende o telefone. Não responde às minhas mensagens. Será que já se esqueceu de tudo o que fomos? Lembro de quando você dizia que estava tão feliz que poderia morrer. Tudo parecia tão certo. 

A verdade é que não preciso do seu amor. Mas você me trata como um desconhecido e isso dói. Não precisava ter sido tão baixa. Ontem suas amigas vieram buscar coisas suas, me disseram que você trocou seu número de telefone. Mas, afinal, acho que não preciso mais disso. 

Agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer. 

* * * 

Você era certo para mim. Eu estava feliz. Você estava feliz. Ficaríamos juntos para sempre. Quando foi que isso mudou? O que foi que aconteceu? Estar com você já não me fazia bem. Quando estávamos juntos você parecia estar em outro universo. A cada dia que passava você ficava mais ausente, não me olhava nos olhos para falar, apenas murmurava alguma coisa ou outra. 'Eu te amo' tornou-se um mantra, uma ladainha repetida à exaustão sem significar nada. 

Não fazíamos mais sentido juntos, ambos sabíamos. Te ver vagar pela casa daquele jeito estava me fazendo mal. Você estava perdendo sua identidade, eu também. Não estávamos mais nos ajudando. Era o fim. “Ainda podemos ser amigos” eu falei. Mas admito que era impossível, o dano tinha sido grande demais. 

Cruzamos caminhos outro dia na praça. Mas desviei o olhar. Depois outra vez na rua. Precisei ignorar. Tantas vezes sofri achando que estava estragando nosso relacionamento, mas a culpa foi sua em todas elas. Me recuso a atender o telefone. Falar com você de novo, como se nada tivesse acontecido, é difícil demais. 

A verdade é que não preciso do seu amor, ele me faz mal. Não posso mais viver daquela maneira. Interpretar suas palavras, ler nas entrelinhas, tudo é exaustivo demais. As meninas foram buscar o resto das minhas coisas. Troquei o número do telefone. 

Agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer. 




Gotye

Wouter "Wally" De Backer é músico e compositor, nasceu na Bélgica, cresceu na Austrália e tem 31 anos. Gosta de trabalhar sozinho e utiliza-se de samples de sons naturais e coisas estranhas em suas músicas. Já fazia muito sucesso em sua terra antes de dar o ar da graça aqui no ocidente.

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